• 3 de julho de 2020

A 300 km por hora e o dolo eventual

 A 300 km por hora e o dolo eventual

A 300 km por hora e o dolo eventual

A oportunidade pode fazer o ladrão – ou, no caso, o assassino.

Qual o maior limite de velocidade permitida em nosso país?

Além do problema sério e imoral dos seres humanos, nossos irmãos, que saem por aí dirigindo depois de beber, sem se preocupar se vão matar ou não seus semelhantes, ainda temos que suportar notícias de atropelamentos em que carros estavam trafegando a mais de 150 km/h, onde a velocidade permitida era bem menor.

Isso se deve ao fato de os carros possuírem a capacidade de atingir velocidades exacerbadas.

Apesar de, obviamente, existirem razões (técnicas, econômicas e psicológicas, e sabe-se lá quais mais) criadas para explicar o motivo para se construírem carros usuais que podem alcançar velocidades de até 300 km/h, por exemplo, fico imaginando em que lugar as pessoas têm a esperança de poder atingi-la?

Eventualmente, além do condutor, em tese, estar agindo em dolo eventual, para uma massa crítica e análise, deveriam ser responsabilizados também políticos, fabricantes, publicitários, vendedores, compradores, enfim, todos que colaboram para a bela imagem da máquina de matar em alta velocidade que aprovam, produzem, vendem, compram, na ilusão de que existe o direito de trafegar muito além da velocidade sensata e permitida nas ruas e estradas de nosso país.

Roberto Parentoni

Advogado (SP) e Professor