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5 perguntas que todo advogado criminal está acostumado a responder

Canal Ciências Criminais

5 perguntas que todo advogado criminal está acostumado a responder

Fala moçada! Saudade de todos vocês amigos leitores. O ano de 2017 já iniciou com força máxima. São vários os assuntos que podem ser abordados, principalmente o que vem acontecendo no sistema carcerário.

Todos nós, criminalistas atuantes, já tínhamos cansado de avisar que “uma hora a panela de pressão iria explodir”, pois bem, e agora? Como remediar o que não tem remédio? Realmente espero que o governo federal não tente apagar essa explosão do cárcere com gasolina. Feito isso, vamos lá. Coluna no ar!!!


Respondo perguntas diariamente de clientes, estudantes de Direito, familiares do réu e de curiosos. Resolvi separar as 5 perguntas mais frequentes e fazer um artigo. São elas:

1) Você não tem medo de defender criminosos?

É claro que não. Estudei, preparei-me para o que faço, mas, principalmente, não vendo ilusões ao cliente. Nós criminalistas só podemos garantir empenho, rapidez no ingresso das peças processuais e trabalhar sempre dentro dos limites da ética. Trabalhando assim, não é necessário ter medo de advogar no Direito Penal.

2) Demora muito para conseguirmos um bom retorno financeiro?

Amigos, minha filosofia é de que é preciso “plantar para colher”. No início da profissão, nenhum cliente de “expressão” e que pode lhe pagar polpudos honorários vai te procurar. O negócio é ter persistência e trabalhar muito pro bono, sempre procurando os melhores resultados. E, para atingir os melhores resultados, necessitamos de muito estudo. Aprenda a não colocar o dinheiro na frente de coisas importantes. Dormir à noite com a consciência tranquila é o melhor dos pagamentos. A grana vem, podem ter certeza! 

3) Advogado tem que ler muito?

Essa é clássica. Pessoal, é evidente que sim. Hoje os processos nos quais tenho atuado não possuem, no mínimo, algumas milhares de páginas. Conhecer o processo de “capa à capa” é a chave do sucesso para se obter um bom resultado. Gostar de ler é essencial para o advogado que busca um lugar ao sol. Soma-se a isso o consumo de livros jurídicos, códigos, sentenças e acórdãos. Sim, advogado tem que ler muito!

4) Você não se sente mal defendendo um criminoso confesso?

Não, absolutamente não. Quando defendo eu não julgo. O opressor de ontem é o oprimido de hoje frente à força do Estado. O advogado criminalista, quando assume uma causa, o faz porque acredita nela. Eu particularmente tenho a convicção que todos nós seres humanos somos passíveis de errar. Quem nunca ouviu: Se eu esperasse cinco segundos eu não tinha feito isso… Quantos júris eu fiz por causa desses cinco segundos? Pessoas honestas, religiosas, trabalhadoras, respondendo a um processo crime. Segundos destruíram sua vida e de outrem. Todos nós somos criminosos em potencial. Se você está discordando, pensa em alguém maltratando teu filho, teus pais e outros por quem tenha apreço. O que você faria?

5) Advogado tem que falar bem?

Se possível sim. É importante ser um advogado completo, que consiga tanto redigir boas petições assim como possuir uma excelente oratória. No entanto, o mais importante é você descobrir se possui essas qualidades ou não. Conheço excelentes “peticionadores”, mas que não se saem bem em uma simples audiência de conciliação, assim como conheço oradores fantásticos que não conseguem traduzir em suas peças processuais aquilo que querem dizer. A advocacia é generosa, basta você perceber onde se sai melhor!


Por fim, quero dizer que o maior conselho que possa dar para um jovem estudante ou para um advogado recém-formado é: Não para de estudar. Tenta a pós, mestrado, doutorado…

Hoje defendi minha dissertação de mestrado. Sou agora mestre em Ciências Criminais, e me sinto como a maior prova que a carreira só decola após se estudar mais e mais.

É difícil, caro, mas fundamental para quem quer ter um destaque maior na profissão. Eu divido minha carreira em a.e. (antes da especialização) e d.e. (depois da especialização).

Para termos resultados diferentes é necessário ter atitudes diferentes. Eu sei como é cansativo trabalhar o dia inteiro e enfrentar uma pós graduação à noite, a grana e todo o resto. Não tive bolsa para o mestrado, foi difícil, porém, é engraçado como quando vamos fazendo as coisas certas Deus nos ajuda.

Nunca tive tantos clientes que me ajudaram a pagar as prestações do mestrado e hoje recebo meu título. Foi um dia inesquecível. Só eu sei o quanto foi duro chegar até aqui. Assim como eu venci, todos podem, basta querer.

Forte abraço e até semana que vem!

Autor
Mestre em Ciências Criminais. Professor de Direito. Advogado.
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