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Do Carandiru ao PCC: como a maior chacina em presídio motivou a criação da facção criminosa

O trágico massacre de 111 presos ocorrido em 1992 na Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, desempenhou um papel crucial na formação do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com especialistas, esse episódio violento teve um impacto significativo na criação da facção criminosa que opera dentro e fora do sistema prisional paulista.

O papel do Estado pré-massacre

Antes do massacre, o Estado já estava envolvido em práticas abusivas contra os detentos, incluindo extorsão, tortura e assassinato. Embora o Carandiru não tenha sido a única razão para o surgimento da facção, contribuiu substancialmente para seu surgimento. 

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O Padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária da Igreja Católica, afirmou que o massacre do Carandiru foi um fator significativo.

A fundação do PCC

PCC
Imagem: Reprodução

O PCC foi fundado por um grupo de presos em 31 de agosto de 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, em menos de um ano após o massacre de Carandiru. Seus principais objetivos eram combater os abusos no sistema prisional e prevenir futuros massacres como o de 1992.

A influência do massacre de Carandiru

O massacre de Carandiru foi o evento catalisador para a criação da facção, sendo mencionado até mesmo no estatuto de fundação da facção. 

Josmar Jozino, jornalista e autor de livros sobre o PCC, explicou como o episódio desempenhou um papel essencial na formação da facção criminosa.

As consequências da atuação da facção

O PCC se espalhou pelo sistema prisional e estabeleceu regras de conduta para os detentos, como a proibição do uso de crack e assassinatos motivados por dívidas de drogas, supostamente diminuindo os índices de mortalidade nas prisões. No entanto, a Pastoral Carcerária alega que não existem dados completos disponíveis para retratar a evolução da mortalidade nas prisões.

O PCC além dos presídios

Além de sua atuação no sistema prisional, o PCC expandiu suas operações para fora das prisões. Isso incluiu o controle de parte do tráfico de drogas em São Paulo, parcerias com facções de outros estados, o aluguel de armas para atividades criminosas e o domínio de rotas internacionais de entrada de drogas no país.

A expansão do PCC levou à formação de outras organizações criminosas dentro das prisões paulistas, que surgiram para enfrentar o crescente poder do PCC. Além disso, a facção buscou vingança contra autoridades envolvidas no massacre de Carandiru, como o assassinato do ex-diretor do Carandiru, José Ismael Pedrosa, em 2005, atribuído a membros do PCC.

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