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A mente criminosa do psicopata

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A mente criminosa do psicopata

Quando ouvimos a palavra mente criminosa, diretamente associamos a crimes considerados pela sociedade graves e imperdoáveis, como assassinatos em massa, estupros, entre outros. No entanto, uma mente criminosa pode cometer diversos delitos que muitas vezes não notamos, até vermos nossas vidas destruídas… Há vários tipos de mente criminosa, mas explorarei neste artigo a mente criminosa do psicopata. 

A palavra psicopata nos remete à imagem de pessoas cruéis, capazes de cometer os piores homicídios já imaginados. Mas o psicopata não é somente o assassino de seriados americanos. Há vários tipos de psicopatas. Muitos deles praticam crimes longe dos olhos da sociedade, passando despercebidos, mas deixando sua marca na vida de pessoas próximas. Veremos, neste artigo, o quanto o psicopata pode afetar sua vida. 

Na evolução da história o ser humano aprendeu que é preciso viver em sociedade, assim tendo o dever de cooperação, com o objetivo de propiciar o mínimo de harmonia entre as pessoas. Dessa forma, de acordo com os especialistas, devemos sempre nos colocar no lugar do próximo para que possamos nos sensibilizar com o sofrimento alheio. Tal atitude é denominada como empatia. Entretanto, existe uma minoria na sociedade que passou por essa evolução histórica sem a presença da denominada empatia, minoria composta por psicopatas.

De acordo com psiquiatras, psicólogos, neurologistas e outros estudiosos do tema, os psicopatas são completamente diferentes dos seres humanos. Embora sejam considerados da mesma espécie, são desprovidos de emoção ou sentimento. Psicopatas não conseguem se colocar no lugar do próximo, ou seja, não há qualquer tipo de sentimento em relação ao outro.

Os indivíduos que podem ser considerados psicopatas são encontrados em maior frequência em estabelecimentos prisionais. De modo geral, não conseguem estabelecer laços afetivos, tendem a reincidir, não têm ansiedade nem mesmo sentimento de culpa em qualquer situação, possuem o ego inflado e são, em sua maioria, impulsivos. Segundo Ana Beatriz Barbosa SILVA,

os psicopatas apresentam uma pobreza emocional, referente a incapacidade de possuir sentimentos, ainda, costumam ser ótimos contadores de história, aparentemente muito instruídos e charmosos, além de exímios contadores de mentiras.

É necessário saber que a psicopatia não possui cura; é um transtorno de personalidade e não uma fase de alterações comportamentais momentâneas. Porém, é relevante ter em mente que tal transtorno apresenta formas e graus diversos de se manifestar e que somente os mais graves apresentam barreiras de convivência intransponíveis.

A ciência já possui meios de identificação de um psicopata, porém não logrou êxito, pelo menos por enquanto, em descobrir a forma de tratá-los. O cérebro humano possui uma espécie de detector que emite espécies de julgamentos morais e éticos, e fica em funcionamento todo o tempo. O referido detector é denominado pelos especialistas de “detector moral”, e permite afirmar que o psicopata é desprovido de tal regulador moral.

Um dos mais conceituados especialistas sobre psicopatia no mundo, o psicólogo canadense Robert HARE, afirma que

o psicopata possui um único medo, o medo da punição, por isso muitos não praticam crimes violentos, mas sempre praticam transgressões, como por exemplo, a prática de fraudes. Diferentes dos seres humanos normais, que possuem diversas formas de medo.

Os psicopatas se destacam, sobretudo, pela superficialidade da emoção, pela natureza vazia e transitória de quaisquer sentimentos de afeto que possam alegar e por uma insensibilidade surpreendente. Eles não demonstram nenhum sinal de empatia nem de interesse genuíno em se envolver emocionalmente com um parceiro. Se o psicopata valoriza minimamente o cônjuge é porque o vê como uma posse e, se perdê-lo, ficará furioso, mas jamais triste ou culpado.

Os psicopatas não veem nada de errado naquilo que fazem; são conhecidos por se recusarem a assumir a responsabilidade pelas decisões que tomam e suas consequências. A irresponsabilidade contumaz é uma das bases do diagnóstico do transtorno da personalidade antissocial. Giovana Veloso Munhoz da ROCHA e Paulo César BUSATO destacam que

psicopatia não é sinônimo de criminalidade, já que em muitos casos indivíduos cometem ações que refletem a personalidade de um psicopata sem cometer crimes, como prejudicar familiares, se tornam políticos por benefício próprio, entre outras situações, assim, possuem características da presença de psicopatia sem que tenham cometido nenhum tipo de delito.

Psicopatas podem passar a vida inteira sem chamar atenção, apenas fazendo sua especialidade: manipular os outros, aproveitar-se do próximo, desestabilizar famílias e passar a rasteira em alguém para se dar bem. A dissimulação é um dos principais sintomas que compõem a psicopatia. Sua fácil habilidade de demostrar carisma encobre seu verdadeiro perfil.

Quando percebemos a possibilidade de um conhecido ser psicopata, o dano já está feito, suas ações afetam a vida das suas vítimas de maneira que as mesmas ficam doentes, perdem tudo o que têm, entram em depressão, começam a viver um problema psicológico e, até perceber que convivem com um psicopata, suas vidas são levada ao pior nível. 

Acabam, enfim, ficando com sequelas do dano causado e não conseguindo retomar sua vida como antes.


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Autor

Bacharela em Direito e Mestranda na Ulisboa (Portugal)
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