• 27 de outubro de 2020

A prática inteligente da saudação no Tribunal do Júri

 A prática inteligente da saudação no Tribunal do Júri

A prática inteligente da saudação no Tribunal do Júri

Por Carolina Gevaerd Luiz e Marcos Paulo Silva dos Santos

Estamos diante do melhor Promotor de Justiça deste estado. Não é à toa que é o orador oficial do Ministério Público de Santa Catarina.

Foi assim que iniciamos um Júri, após muito refletir sobre a tal da saudação. Afinal, realmente estávamos diante do mais temido Promotor de Justiça desta Capital.

Naquele breve momento, refletimos – e muito – sobre esta ocasião peculiar que é o início dos debates em Plenário, já que ali a luta é (quase) livre, podendo-se antecipar aquilo que será dito pelo seu oponente no transcorrer da batalha dos argumentos, mormente sobre aquela velha história de que o Promotor de Justiça (como o nome já induz) promove a justiça, e de que seria ele o famoso defensor dos interesses da sociedade.

Alerta: os jurados são pessoas simples da comunidade que, muito embora possuam imparcialidade, independência e autonomia, são portadoras da falibilidade humana, atributo negativo que podem levá-las a erros e a equívocos. Aliás, muitas das vezes sequer possuem qualquer contato com a rotina forense, deixando-as cegas sobre as (in)justiças praticadas pela própria justiça.

Ato contínuo, vale o questionamento: mas e se você não fizer a saudação? Não seria uma verdadeira indelicadeza? Prepotência? 

Ora, certamente você não ganharia empatia do corpo de jurados. Inclusive, já foi muito discutido acerca da empatia em artigo diverso e quem leu sabe da importância de ganhar a empatia dos jurados. Correção: não tão somente dos jurados.

E aqui está a arte da estratégia. Ora, se o representante do Ministério Público que mencionamos é considerado o melhor orador do órgão acusador, por que não trazer essa informação ao corpo de jurados, para terem a ciência de que estão diante do rei da oratória, advertindo-os, indiretamente, para ficarem atentos, porquanto o oponente é “bom de lábia”?

É justamente desta forma que estudamos cada oponente. Sempre buscamos fazer a saudação de forma inteligente. Aliás, ao mesmo tempo em que reconhecemos nosso oponente, advertimos os que estão próximos acerca de sua inteligência e de seus pontos fortes, para que durante a nossa fala possamos, de maneira sábia, empregar este ponto em nosso favor. É o tal do jogo processual.

No aludido case, em específico, durante todos os apartes a defesa ressaltava aos jurados a qualidade do seu opositor, sempre trazendo à tona que se estava diante de um verdadeiro expert em oratória. Pronto. Lograva-se trazer a atenção de cada jurado, e naturalmente eles se bloqueavam ao que o oponente dizia para tentar distraí-los durante a nossa fala.

Ouse. Permita-se. Sempre de forma estratégica e inteligente.


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Marcos Paulo Silva dos Santos