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A primeira visita de um acadêmico de Direito a uma unidade prisional

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Por Elcides Bezerra Cavalcante Neto


Olá meus caros, aproveitei a estadia em Tauá – minha cidade natal, para escrever um pouco, não há dúbio que no seio familiar as ideias e expressões fluem com mais naturalidade. Desta feita, resolvi relatar sobre minha primeira visita a uma unidade prisional, qual seja o Instituto Penal Feminino (IPF) em Fortaleza, Ceará.

As unidades prisionais são vistas como verdadeiras masmorras medievais, local de aprisionamento em massa com poucas benfeitorias, visto que ninguém quer melhorar as condições de vida de um suposto “Assassino” por exemplo, usei a expressão “suposto” pois como é de conhecimento por todos, boa parte dos que estão ali trancafiados são presos provisórios, esperando julgamento – o que é um absurdo jurídico-social!

Quando tomei ciência que iríamos a tal visita, fiquei extremamente ansioso, pois jamais tinha ido a um lugar como aquele, foi surpreendente. No percurso da viagem, de modo que a unidade é localizada fora da capital cearense, fiquei imaginando como seria a vida daquelas mulheres que ali estavam, o dia a dia, a relação com a família, é tudo bem diferente.

Todavia, o que mais me deixava intrigado era como seria a reação das internas quando se deparassem com aqueles acadêmicos de Direito que iriam conhecer o sistema prisional, foi surpreendente, repito. Ao chegar no local, cercado de matagais, realmente a unidade é isolada, pois visa o distanciamento da cidade, visto que o “ruim” a gente descarta, não é mesmo?! Ironias a parte, o clima ali é bem tenso, como dizem as gírias.

De pronto, fomos recepcionados pelos Agentes Penitenciários que iriam nos escoltar nesse trajeto pelas instalações do IPF, deram informações e passaram segurança, afinal as superlotações descambam em diversos problemas. Com isso, adentramos a unidade e seguimos em corredores bem largos e compridos, com várias celas que nos fazem refletir sobre muitas coisas, parece de fato cena de filme, porém sem trilha sonora, essa seria apenas alguns pedidos de ajuda que ecoavam no pavilhão e adentram a nossa alma, nos dando uma sensação de impotência. “É um mundo totalmente diferente do nosso, com regras e linguagens próprias” diria meu saudoso professor de Direito Penal.

Desse modo, conhecemos um pouco dos projetos de ressocialização daquela unidade prisional, várias fábricas que oferecem empregos para as internas, buscando não somente a readaptação a vida social, mas quiçá o aprendizado de uma profissão. Achei a ideia extraordinária, porém sabemos das dificuldades que a sociedade impõe a uma pessoa egressa do sistema prisional. Com efeito, aquilo que me intrigava no início, foi aos poucos se amenizando, pois fomos recebidos com muito respeito e simpatia por aquelas moças, algumas com um belo sorriso no rosto, trabalhando alegre como se não houvessem grades que as privassem de liberdade.

Contudo, esse dia sem dúvida marcou cada um daqueles estudantes, e com muita propriedade posso dizer que me marcou. Mas sobretudo, não esquecerei do momento em que o nosso “guia” nos apresentou o parlatório, lugar onde o interno conversa com seu advogado e disse o seguinte: “quem quiser trabalhar na área criminal terá que vir muito aqui conversar com seus clientes”, aquilo me arrepiou meus caros! A advocacia criminal é uma seara desafiadora e muito apaixonante.

Portanto, esse é o meu breve relato da primeira visita de um acadêmico de Direito a uma unidade prisional.


Elcides Bezerra Cavalcante Neto – Acadêmico de Direito da Faculdade 7 de Setembro

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