• 17 de janeiro de 2020

A vida imita a arte? Os presídios femininos na concepção de Orange is the New Black

 A vida imita a arte? Os presídios femininos na concepção de Orange is the New Black

This image released by Netflix shows Taylor Schilling, left, and Uzo Aduba in a scene from “Orange is the New Black.” Revealing secret endings and plot twists has brought on wrath since the dawn of cinema, straight through VCRS to streaming and DVRs. Does the 13-episode Netflix dump of “Orange is the New Black” in July equal two months of polite spoiler-free behavior? (AP Photo/Netflix, Paul Schiraldi)

Por Mariana Camara, do Programa Justiça Sem Muros

Um artigo interessante sobre a representatividade do sistema carcerário feminino em comparação com a série “Orange is the New Black” foi escrito pelo chefe de gabinete da Criminal Justice Policy Foundation (CJPF), apontando as diferenças entre a realidade e a série no que diz respeito às condições e às características das mulheres presas nos Estados Unidos. Apesar de olhar para os presídios federais femininos norte-americanos, as considerações do texto dialogam bastante com a realidade brasileira, mostrando que os problemas do encarceramento feminino devem ser pensados em uma escala mundial.

A primeira semelhança está na importância de dar visibilidade ao assunto, pois em doze anos (entre 2000 e 2012) a população carcerária feminina no Brasil cresceu 256% – somando hoje cerca de 36 mil mulheres presas. Assim como nos EUA, a maioria das mulheres presas são mães (no Brasil, estima-se que 87% das detentas são mães), com baixa escolaridade e provedoras de suas casas, entrando no mercado de trabalho muitas vezes de maneira informal ou ilegal – como através do tráfico de drogas. Na cadeia do tráfico, entretanto, ocupam lugares menores e precários – mas recebem penas altas por isso.

O histórico de abusos físicos e sexuais é constante e o número de mulheres com transtornos mentais também é bastante elevado. Como consequência da ausência de amparo do sistema social, essas mulheres são relegadas a situações precárias nos presídios, especialmente em áreas mais pobres dos país ou em cidades mais distantes das capitais .

Apesar de a série retratar um universo obscurecido da sociedade e ter muitos pontos interessantes, a realidade se impõe sem espaço para idealização. A despeito do desejo da ficção de glamourizar a vida sexual das mulheres presas, de retratá-las como chefes de estruturas criminosas e de sugerir que a manutenção dos relacionamentos afetivos só depende de fidelidade, as prisões femininas que não aparecem na TV são mais caracterizadas pelo abandono familiar e a falta de recursos.

* Colaboração do ITTC como colaboração ao Canal Ciências Criminais

Redação

O Canal Ciências Criminais é um portal jurídico de notícias e artigos voltados à esfera criminal, destinado a promover a atualização do saber aos estudantes de direito, juristas e atores judiciários.