• 25 de outubro de 2020

Admirável mundo novo

 Admirável mundo novo

Admirável mundo novo

Publicado em 1932 por Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo logo alcançou o status de clássico e influenciou diretamente o escritor George Orwell em suas obras. Huxley criou uma sociedade moderna, tecnológica, profundamente hedonista, onde quem não se encaixa nos padrões impostos é mandado ao exílio.

A estória se passa em Londres. Na sociedade imaginada por Huxley, o tempo começou a ser contado da seguinte maneira: a.F. (antes de Ford) e d. F. (depois de Ford). Ford seria a entidade mítica que fundara as bases dessa nova e moderna sociedade:

Nosso Ford – ou nosso Freud, como, por alguma razão inescrutável, preferia ser chamado sempre que tratava de assuntos psicológicos – Nosso Freud foi o primeiro a revelar os perigos espantosos da vida familiar. (HUXLEY, 1932, pg. 51).

Nessa moderna e tecnológica sociedade, as crianças eram geradas em laboratório, já condicionadas às funções que exerceriam e criadas em Centros de Condicionamento do Estado.  As pessoas eram divididas em castas de acordo com as letras do alfabeto grego: alfas, betas, deltas, gamas, ípsilons, zetas. O nascimento já determinava a função e posição que ocupariam na sociedade, sem qualquer possibilidade de mudança ou questionamento:

Um dos estudantes levantou a mão. Embora compreendesse perfeitamente que não se podia permitir que pessoas de casta inferior desperdiçassem o tempo da Comunidade com livros e que havia sempre o perigo de lerem coisas que provocassem o indesejável descondicionamento de algum dos seus reflexos… (Idem, pg. 33).

As crianças Alfas vestem roupas cinzentas. Elas trabalham muito mais do que nós porque são formidavelmente inteligentes. Francamente, estou contentíssimo de ser um Beta, porque não trabalho tanto. E, além disso, somos muito superiores aos Gamas e aos Deltas. (Idem, pg. 39).

– Ou então o Sistema de Castas. Constantemente proposto, constantemente rejeitado. Havia uma coisa chamada democracia. Como se os homens fossem mais do que físico-quimicamente iguais!. (Idem, pg. 61).

Nos Centros de Condicionamento, as crianças aprendiam lições através de repetições constantes. O objetivo era ensiná-las a repetir frases feitas sem pensar. Livros, claro, eram em sua maioria proibidos:

Corriam rumores estranhos acerca de velhos livros proibidos, ocultos num cofre do gabinete do Administrador. Bíblias, poesia – só mesmo Ford sabia o quê. (Idem, pg. 47).

A volta à cultura. Isso mesmo, à cultura. Não se pode consumir muita coisa se fica sentado lendo livros. (Idem, pg. 64).

 Nessa sociedade, os relacionamentos românticos eram proibidos e as pessoas incentivadas desde jovens à promiscuidade. Uma droga chamada Soma era consumida por todos em grandes quantidades.

Mesmo assim, havia aqueles que questionavam as regras. Bernard Marx, mesmo sendo um Alfa-Mais, tinha uma reputação de não se encaixar aos padrões impostos:

– Mas e a reputação dele?

– Que me importa a reputação dele?

(…)

-E, além disso, ele passa a maior parte do tempo sozinho… sozinho! – Havia horror na voz de Fanny. (Idem, pg. 58).

Bernard tinha apenas um grande amigo, também avesso às regras, Helmholtz Watson. Watson era inteligente demais, o que de certa forma o tornava um pária, como Bernard:

O que esses dois homens tinham em comum era a consciência de serem individualidades. (Idem, pg. 84).

Mesmo não sendo considerado um jovem popular, Bernard era psicólogo e muito competente em suas funções. Assim, ele atrai a popular Lenina, com quem viaja a um Centro de Selvagens, onde as pessoas viviam à maneira antiga, sem seguir as regras de Londres e Nova Iorque.

No Centro de Selvagens, Bernard e Lenina conhecem John. Apesar de nascido na reserva, ele era descendente de europeus e por isso não se encaixava na sua sociedade. Inteligente e educado, havia crescido lendo Shakespeare. Ele e Bernard se tornam grandes amigos:

– Sim, é isso mesmo. – O jovem confirmou com um sinal de cabeça. – Se uma pessoa é diferente, é fatal que se torne solitária. A gente é tratado de um modo abominável. (Idem, pg. 166).

Bernard o convida a ir com ele e Lenina a Londres, juntamente com sua mãe europeia, que também não se encaixava nas regras da sociedade da Reserva. John se entusiasma com a possibilidade de conhecer um “Admirável mundo novo”, como ele acreditava que a Europa era:

– ‘Oh, admirável mundo novo!’ – repetiu. – ‘Oh, admirável mundo novo, que encerra criaturas tais!’ Partamos em seguida. (Idem, pg. 169).

Logo, o “Selvagem” vira atração em Londres. Todos querem conhecê-lo. Bernard vive dias de celebridade graças a seu novo amigo. John não gosta de ser tratado como peça de museu e se desentende com Bernard:

– Pois bem, eu preferiria ser infeliz a ter essa espécie de felicidade falsa e mentirosa que você gozava aqui. (Idem, pg. 216).

Com a chegada de John e Linda, sua mãe, a Londres, é revelado que John era filho biológico do Diretor, chefe de Bernard em seu Centro de trabalho. Tal fato gera um escândalo, pois as reproduções deveriam ser todas via laboratório.

Com a volta a sua velha civilização, Linda volta a se embriagar de soma. Seu estado de saúde cada vez mais piora. Deslumbrado com o Admirável mundo novo a princípio, John começa a perceber que não se encaixa nem nesse mundo, nem no outro.

Helmholtz e o Selvagem logo se tornam amigos. Cada vez mais, Bernard e Helmhotz desafiam as regras impostas na sociedade. Por causa de um poema sobre a solidão, Helmholtz é denunciado ao Diretor. Devido a um escândalo no hospital em que Linda estava, o Selvagem também é denunciado.

Os três jovens então se encaminham à autoridade Mustafá Mond para o julgamento:

– O senhor também o leu? – perguntou. – Julguei que ninguém tivesse ouvido falar nesse livro aqui na Inglaterra.

– Quase ninguém. Sou uma das raríssimas exceções. O senhor compreende, ele está proibido. Mas, como sou eu que faço as leis aqui, posso também transgredi-las. Impunemente, Sr. Marx – acrescentou, dirigindo-se a Bernard. – O que, lamento dizê-lo, o senhor não pode fazer. (Idem, pg. 265).

Bernard e Helmholtz escolhem, então, o exílio em uma ilha. O Selvagem é proibido por Mustafá Mond de se juntar a seus amigos; solitário e infeliz, depois da morte de sua mãe Linda, John comete suicídio em seu exílio.

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Maria Carolina de Jesus Ramos

Especialista em Ciências Penais. Advogada.