- Publicidade -

Advocacia de luto: um manifesto

- Publicidade -


- Publicidade -

Por Iverson Kech Ferreira


Manifesto o sentimento de dor e angústia. Primeiro por aqueles que mais sentiram e sentirão no coração a falta do ente querido; os familiares, segundo; a angústia pela fluidez de nossas vidas, que se esvai tão facilmente quanto o amor e a bondade no mundo contemporâneo.

Colegas de colunas, advogados e tantos outros expuseram suas palavras de lamentação e comoção pelo assassinato trágico de nosso colega em Santa Catarina, Roberto Luís Caldart. Não acredito que esse momento deva passar em branco, não deve passar em branco, portanto, esse singelo Manifesto.

Gostaria nesse momento de abraçar as famílias de todos os outros advogados assassinados no expediente de sua profissão escolhida; essa que nos tolhe deixar passar as injustiças, que nos sussurra que devemos travar batalha as quais cremos ser digna, pois do outro lado há uma pessoa necessitando de nós.

- Publicidade -

Dor, pois nenhum outro bem é tão valioso quanto à vida de uma pessoa, talvez a liberdade chegue aos encalços, mas essa é impossível sem vida. Vida humana que se assemelha a um artigo dispensável de uma prateleira qualquer, quando se encontram casos de assassínios quaisquer que sejam, e pelo mesmo motivo, ardorosamente, somos contrários à retaliação de qualquer um e que não se deve privar esse bem maior a ninguém, mesmo aos cruéis extirpadores de sonhos e existência.

Todavia é pelo mesmo princípio que rogamos por Justiça, que nos preparamos durante anos a fio, que passamos horas travando batalhas conosco mesmos avaliando-nos e cobrando-nos como nenhum outro jamais o fez. Estamos preparados para usar da palavra, contestar, suportar derrotas e esquecer o mais rápido possível nossas vitórias. Durante todo o estágio dessa preparação convencionamos em nosso âmago que nunca poderemos deixar de estudar, de nos aprimorar, pois devemos ser mais abrangentes que ontem, uma vez que a inexatidão dos processos e a amarga vigília do tempo são nossos companheiros inertes.

Passamos por turbilhões de sensações, quando atendemos em alguma delegacia qualquer, quando nos deparamos com penitenciárias diversas e sua realidade, quando somos julgados com olhares de reprovação por defender pessoas que efetivaram a norma penal, transgredindo de alguma forma ou outra, quando vemos a realidade do mundo afora.

Estamos prontos para defender o nosso ponto de vista, seja ele contrário a uma maioria ou não. Quantas vezes já não entramos a um tribunal sem a certeza do discurso que por nós será proferido, mas de um jeito ou outro suportamos as atribulações e discursamos como nunca, ou talvez, como sempre.

- Publicidade -

Já batemos no peito e dissemos em alto e bom som que não iremos tolerar injustiças e que nunca deixaremos de acreditar no bom direito, nem em nossa audácia e competência para fazê-lo valer suas forças.

- Publicidade -

Estamos acostumados com isso tudo, deveras.

Mas não nos acostumamos a acontecimentos como esses, de Palhoça/SC. Poderíamos ter sido chamados no local também, morreríamos juntos.

Não nos acostumamos quando vemos a vida ser tratada como quinquilharia, pois se assim fizermos, em nada nos diferimos daqueles que subjugam e desprezam a vida humana. Não queremos vingança, nem acreditamos nela.

Queremos Justiça, mais uma vez, Justiça.

E que todos os atos sejam esclarecidos, que a investigação seja realizada na mais comovente lisura, que nossa entidade maior da classe dos advogados esteja presente e acompanhando, por nós, mais este inquérito.

- Publicidade -

Estamos demais envolvidos para esquecer.

Descanse em paz bravo colega.

Iverson

 

- Publicidade -

Comentários
Carregando...

Este website usa cookies para melhorar sua experiência. Aceitar Leia Mais