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Advogado Tacla Duran implica Sergio Moro e Deltan Dallagnol em suposta extorsão; STF irá julgar o caso

O advogado Rodrigo Tacla Duran afirmou que foi vítima de uma tentativa de extorsão para evitar ser preso durante a operação “lava jato”. Ele implicou o ex-juiz Sergio Moro, atualmente senador, e o ex-procurador Deltan Dallagnol, atualmente deputado federal, no suposto crime e entregou fotos e vídeos que comprometem os parlamentares.

Durante seu depoimento, o juiz Eduardo Fernando Appio decidiu enviar o caso ao Supremo Tribunal Federal, já que envolve parlamentares com prerrogativa de foro. O relator do caso será o ministro Ricardo Lewandowski, que já despachou nos presentes autos e é prevento para analisar os processos envolvendo Tacla Duran.

O juiz Appio decidiu enviar o caso de Tacla Duran para o STF e também ordenou que ele seja incluído no programa de proteção a testemunhas.

Duran, em seu depoimento, alegou ter sido perseguido pela operação Lava Jato por ter se recusado a ceder à extorsão. Ele afirmou que foi processado em cinco países devido a uma vingança pessoal.

Tacla Duran foi advogado da Odebrecht e foi preso em 2016 pela Lava Jato

Tacla Duran foi preso em 2016 pela Lava Jato. Seis meses antes de sua prisão, ele foi contatado por Carlos Zucolotto Jr., que era sócio de Rosângela Moro, esposa do ex-juiz.

Zucolotto ofereceu a Duran um acordo de colaboração premiada, que seria aceito com a aprovação de Deltan Dallagnol, ex-procurador da República. Em troca, Zucolotto exigiu US$ 5 milhões, pagos de forma não oficial.

Um dia depois, o advogado de Duran recebeu um rascunho do acordo, em papel timbrado do Ministério Público Federal, com o nome dos procuradores envolvidos e as condições negociadas com Zucolotto.

Em 14 de julho de 2016, Tacla Duran fez uma transferência bancária de US$ 613 mil para o escritório de outro advogado como a primeira parcela do pagamento pela delação para evitar ser preso. No entanto, Duran deixou de fazer os pagamentos e foi preso preventivamente por Sergio Moro, mas ele já havia saído do Brasil e acabou sendo preso em Madri, Espanha.

No domingo (26), Thiago dos Reis, um influenciador, divulgou um documento que mostrava a transferência bancária para a conta do segundo advogado, que trabalhou com Rosângela Moro em ações da Federação da Apae no Paraná e também na defesa da família Simão, um caso conhecido como “máfia das falências”.

Em resposta às acusações, a assessoria de Sergio Moro afirmou que as alegações são “calúnias” e que ele não teme qualquer investigação. Além de enviar o caso ao STF, Appio determinou que Tacla Duran seja colocado no programa de proteção a testemunhas.

De acordo com um advogado que foi alvo da operação “Lava Jato”, ele foi processado em cinco países como forma de vingança, por não ter aceitado ser extorquido.

O advogado Tacla Duran, que representou a Odebrecht, foi preso em 2016, depois que Carlos Zucolotto Jr., sócio da esposa do ex-juiz Sergio Moro, lhe ofereceu um acordo de colaboração premiada, que exigia US$ 5 milhões em pagamentos “por fora”.

Depois disso, a assessoria de Sergio Moro lançou uma nota dizendo que o senador é vítima de “calúnias” e que ele não tem medo de ser investigado. Sergio Moro também mencionou que Thiago dos Reis é uma pessoa que já confessou lavagem de dinheiro para a Odebrecht e tentou fazer uma delação premiada sem sucesso.

Dallagnol afirmou que o juiz Eduardo Fernando Appio “acreditou” em um acusado que tentou enganar as autoridades da Lava Jato, criticando-o no Twitter.

Tacla Duran, um advogado que foi preso na Espanha em 2016 e posteriormente libertado sob fiança, vive atualmente na Europa e acusa o ex-juiz Sergio Moro de conduzir negociações ilegais na investigação da Operação Lava Jato. Duran chegou a ser incluído na lista de procurados da Interpol, mas o Comitê de Controle de Arquivos decidiu retirar seu nome da lista, afirmando que seus direitos haviam sido violados por Moro.

A Interpol afirmou que a conduta do ex-juiz levantou questões sobre a imparcialidade do julgamento de Duran e violou leis internacionais reconhecidas pelo Brasil.

A defesa de Duran apresentou várias evidências à Interpol, incluindo a recusa de Moro em permitir que o advogado fosse arrolado como testemunha do ex-presidente Lula e uma entrevista de Moro ao programa Roda Viva, na qual o magistrado falou sobre o processo de forma inapropriada.

Fonte: ConJur

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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