• 10 de dezembro de 2019

Advogados Criminalistas: quem somos nós

 Advogados Criminalistas: quem somos nós

Advogados Criminalistas: quem somos nós

Por Felipe Geitens e Melani Feldmann

Um sentimento carregado por profissionais e estudantes de todos os cantos do Brasil, uma angústia que pode aos poucos dominar o mais lúcido dos seres. Será que amarei o que estou buscando fazer da minha vida profissionalmente? Será que vivo em busca de uma ilusão? Será que terei tesão pela minha profissão?

É comum ver pessoas extremamente realizadas em suas profissões, esbanjando sorrisos, agradecimentos, e todo tipo de boa vibração em se tratando de redes sociais. Pouco são os casos em que se divide de fato as intempéries vividas, que são comuns em todas as áreas de atuação.

Na advocacia criminal não é diferente, grande parte do que se vê são os momentos de glamour,  ostentação, decisões favoráveis, absolvições, o que de fato são duras conquistas e momentos de realização ótimos para quem os vivencia. Porém, não reflete de perto a realidade do dia-a-dia vivido pelo advogado criminalista.

Somos hostilizados pela sociedade, amigos, e muitas vezes pela própria família. Quando decidimos vestir esta camisa, vestimos junto toda uma construção social de “defensores de bandidos”, sendo muitas vezes confundidos com o próprio acusado.

Ocorre que quando imergimos nesse sacerdócio, conhecemos com profundidade as dores e angústias do mais execrado ser humano, sentamos ao seu lado e nos doamos pelo seu direito de defesa, pelo seu direito de tratamento humanitário, pela sua súplica por compaixão.

Por amor, na grande maioria dos casos não escolhemos causa, sempre deixamos de lado qualquer julgamento, não entendemos que um ser humano seja melhor do que outro, não vemos sexo, gênero ou cor da pele. 

Percebemos que o erro é inerente ao ser humano, que ninguém está livre, que as dores movem o processo penal em qualquer lugar do mundo, e que todos que sofrem merecem o melhor que temos para dar.

Advogar na área criminal não condiz com a aceitação da impunidade, pelo contrário, nossos gritos são pelo respeito à lei. Sejam condenados, sim, quando, fielmente observadas as regras do jogo, restar efetiva prova de autoria e materialidade, entregando àqueles “desgraçados” sanção justa, nenhum dia a mais nem a menos.

Conhecemos o sentimento de vingança que muitos carregam, que cega e quase faz sangrar os olhos dos ditos cidadãos de bem, e esses, no mais das vezes com a plenitude de discernimento e verdade, clamam por socorro. A quem? Ao advogado criminalista.

Num caminho repleto de angústias, as vitórias trazem rosários de derrotas sem fim, cujo resultado final se restringe a minimizar o dano causado pela marcha processual. A vitória de um criminalista é uma vitória não pessoal, o simples cumprimento da lei muitas vezes já é vitória, pessoal é somente o sentimento de realização pelo encontro com o justo, da tão sonhada justiça. A vitória de um criminalista é vitória da humanidade, da sociedade. 

Carrega o criminalista em sua alma, sangue e coração, a esperança pela igualdade, e as dores de um mundo injusto. A coletividade ganha quando cada um de nós, células de resistência (à opressão), vibra com a conquista de um ato de justiça.

Mergulhar no meandro das dores e dos destinos alheios, só aqueles afogados pela majestosa loucura dessa apaixonante profissão conseguem encarar. Alegria essa que se multiplica quando nos deparamos com loucos tão loucos quantos nós, ou mais, que ouvem o pior querendo sempre o melhor. 

Advogados Criminalistas

Nossa felicidade, num trajeto demasiadamente tortuoso, se resume em entregar ao próximo, a cada gesto, o melhor que podemos ser, com todos os defeitos e qualidades. Humanos, demasiadamente humanos, utópicos, iludidos, fantasiosos, somos nós, advogados criminalistas.


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Felipe Geitens