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Antônio Prestes do Nascimento: meu pai na advocacia criminal

Por Jean de Menezes Severo

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Mais uma coluna no ar! Que alegria fazer parte do time de colunistas do Canal Ciências Criminais e que a cada dia que passa conquista mais e mais leitores Brasil a fora. Pois bem. Na semana do Dia dos Pais, não poderia de deixar de homenagear aquele que considero como um dos melhores criminalistas do Rio Grande do Sul e que é meu pai na advocacia criminal: seu nome é Antônio Prestes do Nascimento, o Prestesão, um fenômeno das tribunas deste mundo de meu Deus. Advogado espetacular e posso dizer que testemunhei milagres no plenário do júri feitos pelo Dr. Prestes; seu dom, sua oratória, seu ofício de absolver.

Tive a sorte e a honra de conhecer o professor Prestes na antiga faculdade Ritter dos Reis, hoje Uniritter, na cidade de Canoas, onde me formei. Caminhava pelos pátios da universidade quando escutei alguns gritos vindos do salão do auditório. Perguntei para um colega o que estava acontecendo e ele prontamente me respondeu: “Tá rolando um júri na faculdade”.

Ainda não sabia bem o que era um júri, mas graças ao patrão velho lá em cima, resolvi ir conferir pessoalmente como funcionava um julgamento realizado pelo tribunal do povo.

Aquele era um júri de gigantes. Lembro-me que me sentei na plateia para assistir a um pouquinho do julgamento, no entanto, não consegui me levantar mais. Aquele ambiente, aqueles protagonistas, os embates entre defesa e acusação tocaram a minha alma e no meu coração. Sabia que acabara de ser apresentado para a profissão que me acompanharia para o resto de minha vida: a advocacia criminal no tribunal do júri.

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Naquele dia, a defesa tivera sua tese acolhida e o réu foi absolvido pelo Conselho de Sentença. Ele estava feliz pela absolvição e eu por encontrar minha profissão. Agora, precisava buscar um escritório de advocacia para começar o quanto antes um estágio, mas tinha que ser na área criminal.

Confesso que “estava mais perdido que cego em tiroteio” procurando um escritório de advocacia; não conhecia nenhum advogado e estava cursando os primeiros semestres da faculdade. Foi então que um colega me falou de um curso de extensão em Tribunal do Júri ministrado pelo Dr. Prestes, quando, ao final do mesmo, os alunos participavam de um júri simulado. Foi aí que percebi que estava diante da verdadeira oportunidade e que não podia desperdiçar.

No curso, já me candidatei imediatamente para ser o advogado de defesa que participaria do júri e, um dia, no intervalo da faculdade, interpelei o professor Prestes da seguinte maneira: “Professor, sabia que no semestre que vem vou fazer um estágio em um escritório de advocacia?” Ele sorriu e disse: “Que maravilha!” Foi quando falei: “E vai ser com o senhor!” Perguntei ao professor que, se absolvesse o réu no júri simulado, se ele não poderia me dar uma chance em seu escritório. Só queria aprender e precisava de uma oportunidade. Ele não teve como me dizer não e concordou.

Lembro que, no final do curso, fiz o júri simulado e o réu foi absolvido. A partir dali, iniciei um estágio ao lado do homem que considero o maior criminalista do Rio Grande do Sul, além de ser um professor fabuloso, amado por todos seus alunos. Com ele não aprendi apenas Direito e Processo Penal, mas aprendi coisas sobre a vida, ou melhor, como me portar frente às dificuldades que a vida nos impõe.

Ele me recebeu em seu escritório, em sua casa. Sentia-me um integrante da família. Tudo o que eu sou devo a esse homem. Foi tomando um chimarrão, ou preparando um almoço em sua residência, que me tornei advogado criminalista, ouvindo suas histórias, seus júris (mais de mil), que me fortaleci para enfrentar as dificuldades da advocacia criminal. Ao seu lado fiz mais de uma centena de júris, audiências; tinha orgulho em carregar sua agenda e de estar ao seu lado.

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Fiz o Professor Prestes pisar pela primeira vez na Justiça do Trabalho. Ele assinava minhas petições trabalhistas e, quando recebi meus primeiros honorários mais significativos, ele, por saber das minhas dificuldades financeiras na época, mandou que ficasse com todo o valor, o que me salvou.

Este é Antônio Prestes do Nascimento, o Prestesão, um advogado fantástico, grande professor, mas, acima de tudo, um ser humano sem igual. Ele é bom por natureza, faz de seu escritório uma extensão da faculdade, ajuda a todos, tem um sorriso franco. Confesso que sempre tive uma pontinha de ciúmes da Paulinha e do Rodrigo, seus filhos.

Mas, na advocacia, ele foi meu pai, meu mestre. A cada júri que faço, ele está ao meu lado; seus conselhos estão gravados em minha mente, dele herdei a mesma força do causídico em plenário, o mesmo amor pela profissão, com ele aprendi que “o bom cabrito não berra”, que “ovelha não é pra mato” e que a advocacia não foi feita para covardes. Minha faculdade de Direito foi feita em seu escritório e tenho muito orgulho de dizer: sou discípulo de Antônio Prestes, índio velho de Jaguari, que foi talhado a facão, que venceu todas as dificuldades da vida usando como escudo a bondade e o amor.

Faltam-me palavras para dizer tudo o que sinto pelo Prestesão, tudo o que ele representa na minha vida.

Obrigado! Te amo, meu velho! Feliz Dia dos Pais!

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JeanSevero

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