• 29 de outubro de 2020

As Telefonistas: ignore a suspensão voluntária da descrença

 As Telefonistas: ignore a suspensão voluntária da descrença

As Telefonistas: ignore a suspensão voluntária da descrença

Por Raquel L. S. de Almeida Reis e Leonardo R. Nolasco

Em 1928, as mulheres eram vistas como objetos para serem exibidos, objetos incapazes de expressar opiniões ou tomar decisões. A vida não era fácil para ninguém, ainda menos para as mulheres. Se você fosse mulher em 1928, a liberdade lhe parecia uma meta inatingível. Para a sociedade éramos apenas esposas e mães. Não tínhamos o direito de ter sonhos e ambições. Em busca de um futuro, muitas mulheres tiveram de viajar para longe. E outras tiveram de enfrentar as regras de uma sociedade retrógrada e machista. No final, todas nós, ricas ou pobres, queríamos o mesmo: ser livres. – Lidia Aguilar (personagem da série “As Telefonistas”)

Suspensão voluntária da descrença

Inicialmente, vamos explicar o conceito de “suspensão voluntária da descrença”, que nada mais é do que um “acordo” que fazemos com todo e qualquer material de entretenimento que consumimos, desde que haja entretenimento.

Refere- se à vontade de um espectador em aceitar como verdadeiras as premissas de algum filme, mesmo que sejam fantasiosas, absurdas, impossíveis e/ou contraditórias, por exemplo:

Toda vez que assistimos ao filme do Batman, aceitamos/acreditamos, por “livre e espontânea” vontade, que realmente existe um homem-morcego que consegue se deslocar através de um cabo de aço entre dois prédios. Em suma, podemos dizer que “suspensão voluntária da descrença” nos transmite o mesmo raciocínio do famoso dito popular “me engana que eu gosto”.

A série “fictícia”, com “personagens fictícios” e (infelizmente) atemporais

O que mais nos deixa perplexos em “As Telefonistas”, pelo menos a esses que subscrevem o texto, é a total ausência da suspensão voluntária da descrença, que, desde o primeiro minuto, narra a luta de mulheres por liberdade no ano de 1928.

Tamanha veracidade das situações narradas causa desconforto ao telespectador, principalmente por se tratar de uma “série fictícia” e, infelizmente, atual.

Note que o enredo se encaixa perfeitamente em 2020. Ou seja, mulheres lutando por independência, liberdade e igualdade de direitos, em todos os seus aspectos.

Correção importante: a única situação fantasiosa, absurda, impossível e/ou contraditória narrada em “As Telefonistas” é a forma como as pessoas utilizam o telefone. Pelo amor de Deus… Querem nos fazer acreditar que em algum momento da história da humanidade a comunicação telefônica era daquela forma, aquele “trambolho” amontoado de fios… (Ok! “Me engana que eu gosto”).

Reflexão

Vocês leram o último post da Lidia Aguilar no Instagram?!

Em 2020, as mulheres são vistas como objetos para serem exibidos, objetos incapazes de expressar opiniões ou tomar decisões (sem receber críticas). A vida não está fácil para ninguém, mas ainda menos para as mulheres. Se você for mulher em 2020, a liberdade lhe parece uma meta inatingível. Para a sociedade ainda somos apenas esposas e mães. Não temos o direito de ter sonhos e ambições. Em busca de um futuro, muitas mulheres tentam viajar para longe. E outras têm de enfrentar as regras de uma sociedade retrógrada e machista. No final, todas nós, ricas ou pobres, queremos o mesmo: ser livres. (saber que em 2020 esse texto é a exteriorização do que as mulheres sofrem, causa uma perturbação mental absurda).

Nesse sentido, é possível notar que a desigualdade de gênero oprime as mulheres em todas as esferas sociais em que há alguma desvantagem em relação aos homens. Como bem ressaltou a estudiosa Djamila Ribeiro, em seu texto Preconceito distorce luta pela igualdade de gênero, não há como negar que vivemos em uma sociedade machista.

Um exemplo disso pode ser demonstrado através dos dados divulgados pelo Relatório Global de Desigualdade de Gênero, publicados pelo Fórum Econômico Mundial no final de 2015. Segundo a pesquisa, ainda há disparidade salarial entre homens e mulheres no Brasil. Para se ter uma ideia, para cumprir o mesmo trabalho, com as mesmas funções e qualificações, as mulheres ganham 41% a menos do que os homens.

Segundo Joaquín Herrera FLORES (2009, p. 34),

…os direitos fundamentais, mais que direitos “propriamente ditos”, são processos; ou seja, o resultado sempre provisório das lutas que os seres humanos colocam em prática para ter acesso aos bens necessários para a vida”.

Portanto, conforme se pode concluir, a desigualdade de gênero é um problema antigo na sociedade e que se perpetua até os dias atuais. No entanto, não há tempo para resignação, a luta tem que continuar. Sigamos juntos.

Serena Willians “deu voz” ao comercial da Nike!

Se somos muito boas, há algo de errado conosco. Se ficamos bravas, somos irracionais ou apenas loucas. Se eles querem te chamar de ‘louca’, tudo bem. Mostre a eles o que as loucas sabem fazer – Serena Williams (Comercial NIKE – Dream Crazier).


REFERÊNCIAS

FLORES, Joaquín Herrera. A reinvenção dos direitos humanos. Florianópolis: Fundação 48 Boiteux, 2009.


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Leonardo Nolasco