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Testemunhas informam que ataque racista contra Seu Jorge foi por “gesto político”

Após sofrer ataques racistas durante show na última sexta-feira, no clube Grêmio Náutico União, o cantor e ator Seu Jorge deu entrevista ao programa Estúdio i, da Globo News e relatou que estava dando um discurso sobre maioridade penal.

“Eu falava sobre a redução da maioridade penal e o genocídio da juventude negra no Brasil. Foi então que, ao sair do palco, comecei a ouvir vaias e gritos de “mito”.”

Testemunhas relatam que viram gestos políticos durante show

Testemunhas confirmam que foram ouvidos gritos de “mito“, em possível referência ao candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). 

Nas redes sociais, houve quem dissesse que Seu Jorge teria feito um sinal de “L” com a mão, em referência ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sua apresentação.

político
Imagem: Jovem Pan

O músico, por sua vez, rebateu as críticas de que teria “politizado” o show utlilizando “gestos políticos”.

“Não estava politizando nada. Estava simplesmente fazendo uma fala muito importante porque temos que combater o genocídio da juventude negra no Brasil”.

Seu Jorge afirma ter passado a ouvir ofensas após apresentar o artista Pedrinho da Serrinha, um adolescente negro de 15 anos que fazia parte do show.

“Quando a gente olha para um garoto de 15 anos, adolescente, e ele é branco, a gente continua vendo um adolescente. Mas, muitas das vezes, quando a gente olha para um adolescente negro de 15 anos, a gente, muitas das vezes, a gente pensa em redução da maioridade penal”.

Na terça-feira, o Ministério Público abriu um procedimento investigatório para apurar possível crime de racismo e danos ocorridos no show. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre deve solicitar ao clube informações, mídias e demais instrumentos de prova relacionados com os fatos.

Na última sexta, Seu Jorge se apresentou no Grêmio Náutico União, tradicional clube da cidade de Porto Alegre, quando foi chamado de “macaco” e ouviu pessoas imitando o som do animal.

Fonte: O Globo

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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