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Assassinos em massa: atirador da Catedral

Assassinos em massa: atirador da Catedral

A princípio, antes dos estudos do FBI, os indivíduos que matavam mais de duas vítimas não possuíam uma classificação que os diferenciavam entre si. Todos eram considerados serial murder (homicida em série). Atualmente, os homicídios com múltiplas vítimas podem ser identificados sob três terminologias:

  1. Serial killer;
  2. Mass murder; e
  3. Spree killer.

Segundo Burgess, o mass murder, assassinato em massa (na língua portuguesa), é definido como o assassinato de quatro ou mais vítimas em apenas um local de crime.

O spree killer é definido como a morte de três ou mais vítimas em mais de um local sem um período de resfriamento entre os assassinatos.

O serial killer mata mais de duas vítimas com um período de resfriamento entre as mortes e envolve mais de um local ou cena do crime. O período de resfriamento é definido quando o assassino retoma suas atividade cotidianas, como se tivesse uma vida “normal” entre as mortes.

De acordo com o Crime Classification Manual, o assassino em massa pode ser dividido em duas categorias: o “clássico” e o de “família”. O tipo clássico envolve um indivíduo atuando e uma localização, num período de tempo; o cenário familiar envolve a morte de quatro ou mais parentes. Geralmente, em ambos tipos ao final o assassino suicida, podendo ser chamado de homicídio/suicídio.

A localização dos assassinatos pode ser na rua aberta, no interior de uma casa ou edifício, ou numa escola ou em correios, ou até mesmo numa lanchonete popular como o caso do “Massacre do McDonalds”.

Outro crime que foi muito noticiado foi o Massacre de Columbine, onde dois jovens, Eric Harris e Dylan Kleybord, entraram na escola em que estudavam munidos de armas e bombas, matando 13 pessoas, sendo que ambos se suicidaram no final.


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Além dos fatores de localização, do número de vítimas e intervalo de tempo durante o qual os crimes foram cometidos, existem outras características marcantes na diferenciação dos homicidas de múltiplas vítimas. No caso dos Assassinos em Massa, podemos elaborar seu perfil a partir de alguns pontos, como, por exemplo:

  • A grande maioria são homens.
  • O tipo de instrumento mais utilizado é a arma de fogo; sua intenção é ter o maior número de vítimas, e essas são aleatórias.
  • Num passado próximo, sua vida sofreu alguma mudança radical, como bullyng na escola, término de casamento, perda de emprego, etc. Culpa todos pelo seu fracasso, estilo vingança.
  • Planejamento, o local de crime escolhido tem uma motivação afetiva, é marcado por algo traumático ou representa algo simbólico.
  • Geralmente, esses assassinos não tem antecedentes criminais.
  • Possuem transtornos mentais, de cunho delirante.
  • Na maioria das vezes cometem suicídio ao final do atentado; são considerados como “bomba relógio humana”.
  • O assassino em massa não tem recompensa final, como dinheiro ou prazer sexual; ele apenas quer ter o maior número de vítimas possível e não fica vivo para ver o resultado. Não considera ser capturado.

Comumente, quando fala-se de assassinatos em massa, os Estados Unidos é apontado. Pessoas acreditam que no Brasil é raro de acontecer, mas não é bem assim, temos vários casos:

  1. Damião Soares dos Santos, o segurança que colocou fogo na creche em Janaúba matando crianças;
  2. Mateus da Costa Meira, o atirador do cinema, que aconteceu em São Paulo;
  3. O Massacre do Realengo feito por Wellington de Menezes; e
  4. O tiroteio feito por um menino de 14 anos numa escola em Goiânia, que matou dois adolescentes e deixou quatro feridos; apesar de não configurar com assassino em massa, foi uma tentativa falida de ser, pois, segundo ele, foi inspirado no massacre de Columbine.

O atirador da Catedral

Recentemente (final de 2018), Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, abriu fogo dentro da Catedral Metropolitana de Campinas no fim de 2018, matando quatro pessoas. A seguir foi alvejado por policiais e se matou em seguida. Euler não tinha antecedentes criminais e, segundo fontes jornalísticas, sentia-se perseguido (delírio?), chegando a fazer boletim de ocorrência contra vizinhos.

Além disso, escrevia em seu diário coisas sem sentidos e sobre possíveis perseguições. Há que se destacar que o perfil do criminoso não pode ser elaborado apenas a partir de dados da imprensa e, no presente caso, essas informações serão utilizadas com ressalva.

Em 2017, Euler comprou armas ilegalmente um ano antes do atentado, o que pode indicar que o crime foi premeditado. Morava com o pai e não trabalhava desde 2014, vivia praticamente isolado. Não tinha nenhuma relação com a Catedral e não era frequentador do local.

Todavia, seu pai era ministro da eucaristia em uma igreja de Campinas, por isso muito religioso, abrindo espaço para uma possível interpretação para seu local de escolha.


REFERÊNCIAS

NEWTON, M. The encyclopedia of serial killer. Second Edition. Ed. Checkmark Books, 2006.

SCHECHTER, H. Serial killers: anatomia do mal. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2013.


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Autor

Clarice Santoro

Especialista em Psicanálise, Saúde Mental e Criminal Profiling. Psicóloga.
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