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O atirador de Realengo

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O atirador de Realengo

O CRIME

No dia 07 de abril de 2011, a escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo (RJ), fora palco de um grande horror. O ex-estudante, Wellington Menezes de Oliveira (23 anos), invadiu a escola, entrou em uma sala de aula, e, sacando os dois revólveres que portava, disparou contra todas as crianças que ali estavam, resultando na morte de doze delas e deixando mais de treze feridas.

Por volta das 8h da manhã do fatídico dia, Wellington, muito bem arrumado, chegou até a escola se apresentando como palestrante, razão pela qual sua entrada foi autorizada. Ao entrar, subiu o primeiro andar e adentrou na sala da oitava série, onde a professora Leila D’Angelo ministrava a aula de língua portuguesa.

O atirador entrou calmamente, e, sem proferir nenhuma palavra sacou as armas de fogo que portava, quais sejam, um revólver calibre 38 e um outro de calibre 32, bem como o carregador do tipo speedloader, que otimiza os disparos e exige rigoroso treinamento para uso.

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Wellington Menezes de Oliveira efetuou mais de trinta disparos

Após isso, o atirador colocou um revólver em cada mão e iniciou os inúmeros disparos, de modo que quando mirava em um menino, os tiros eram deferidos contra seus braços e pernas, ao passo que em se tratando de vítima menina, a mira do tiro era na cabeça, visando, efetivamente, a morte de todas que pertenciam a esse gênero.

Enquanto efetuava os disparos fatais contra as vítimas meninas, proclamava palavras de ódio e julgamento, declarando que elas eram seres impuros.

Wellington efetuou mais de trinta disparos, ocasionando a morte de dez meninas e dois meninos, cujas idades variavam entre 13 e 16 anos.

As demais pessoas que estavam na escola no momento da chacina de Realengo entraram em pânico e começou um grande tumulto. Os agentes do DETRO, que faziam ronda pela região, foram avisados, por uma das crianças baleadas, do que estava acontecendo na escola Tasso da Silveira, razão pela qual foram imediatamente até o local, contando com o apoio da Polícia Militar para realizar a diligência.

Desta forma, os policiais militares do batalhão de transportes rodoviários (BPRV), com intuito de fazer cessar os disparos do atirador, efetuaram dois tiros contra Wellington, sendo que um atingiu sua perna e o outro seu abdômen, fazendo com que o rapaz caísse na escada.

Percebendo sua fraqueza diante da ação policial, Wellington se suicidou, disparando um tiro contra sua própria cabeça, falecendo no local.

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Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos na época dos fatos

Dada a falta de normalidade desse tipo de crime ser cometido no Brasil, esse fato teve grande repercussão nacional e internacional, ainda mais porque o atirador deixou uma carta explicando (ou ao menos tentando explicar) seus sentimentos, bem como o modo que realizaria o atentado, deixando clara a premeditação.

Em sua nota de suicídio escreveu:

Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna. Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se alimentarem, por isso, os que se apropriarem de minha casa, eu peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, por cumprindo o meu pedido, automaticamente estarão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar esse imóvel para meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não tem nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem, eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi.

Muitas pessoas que conheciam o rapaz alegaram que ele sempre foi retaliado, tímido, antissocial e vítima de bullying ao longo de toda sua vida escolar, bem como acreditavam que a motivação do ato violento teria sido baseada no fato de ter sofrido muitas humilhações naquela escola.

Outros acreditavam que a radicalidade do ato seria consequência da crença que o rapaz escolheu seguir, vez que ele se dizia muçulmano (essa alegação não ficou comprovada nas investigações).

Ao tomar conhecimento do que havia acontecido na escola municipal do Rio de Janeiro, a então presidente da república, Dilma Rousseff, decretou luto de três dias, em respeito às vítimas.

AS VÍTIMAS

Segundo a lista divulgada pela polícia carioca, foram vítimas da chacina de Realengo dez meninas e dois meninos, sendo: Ana Carolina Pacheco da Silva (13 anos), Bianca Rocha Tavares (14 anos), Géssica Guedes Pereira (15 anos), Igor Moraes (13 anos), Karine Chagas de Oliveira (14 anos), Larissa dos Santos Atanásio (13 anos), Laryssa Silva Martins (13 anos), Luiza Paula da Silveira Machado (15 anos), Mariana Rocha de Souza (13 anos), Milena dos Santos Nascimento (15 anos), Rafael Pereira da Silva (14 anos), Samira Pires Ribeiro (14 anos).

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Monumento em homenagem às vítimas

Todas as precoces vítimas foram homenageadas, haja vista que a prefeitura do Rio de Janeiro deu, a doze creches, os seus nomes.

O JULGAMENTO

Como o atirador se suicidou logo após o massacre de Realengo, não houve seu julgamento, vez que a morte do agente delituoso é causa extintiva de punibilidade prevista no art. 107, I do Código Penal.


REFERÊNCIAS  WEBGRÁFICAS

WikipédiaG1 (1)G1 (2)Veja.

Autor

Lana Weruska Silva Castro

Pós-graduanda em Ciências Criminais.
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