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Banco de citações doutrinárias: como faço fichamentos

Banco de citações doutrinárias: como faço fichamentos

Uma pergunta que sempre me fazem é: “como você faz fichamentos?”. Normalmente, essa indagação é feita por quem está preparando o trabalho de conclusão de curso (TCC) ou algum artigo.

De início, destaco que faço fichamentos frequentemente, criando um “banco de citações doutrinárias”, isto é, um arquivo em que estão todos os trechos de fichamentos (de todos os livros), facilitando a utilização dessas citações.

Esse banco de citações doutrinárias é utilizado para muitas coisas, principalmente para fazer citações em peças processuais, livros, artigos, vídeos e palestras.

Utilizo um formato razoavelmente simples. Vejamos como é o meu banco de citações doutrinárias, no qual insiro todos os meus fichamentos.

Inicialmente, é importante mencionar que não utilizo o Word ou qualquer outro editor de textos semelhante. Prefiro utilizar o Google Drive, haja vista que, nesse caso, consigo sincronizar todos os meus dispositivos (notebook, computador, celular, tablet…). Em outros termos, utilizando o Drive, é possível acessar/atualizar o arquivo de citações em qualquer dispositivo. Basta logar no site do Google e abrir o arquivo.

Também saliento que utilizo apenas um arquivo para inserir os fichamentos de todos os livros. Conheço pessoas que criam um arquivo de fichamento para cada livro, mas, particularmente, prefiro deixar todas as citações (de todos os livros) em apenas um lugar, o que facilita a “localização” de citações de determinados temas.

No arquivo de fichamento, divido, inicialmente, por disciplina. Assim, há, dentro do mesmo arquivo, separações entre livros de Direito Penal, Processo Penal, Execução Penal, Criminologia, Constitucional, Filosofia, Sociologia, Política etc.

Dentro da divisão de Direito Penal, por exemplo, faço uma separação por livros, e não por temas. Assim, todas as citações de determinado livro estão reunidas na ordem desse livro, ainda que, por exemplo, o fichamento de um livro termine com a prescrição e o fichamento de outro livro tenha início com um trecho sobre a história do Direito Penal. Novamente, trata-se de uma opção, mas há quem prefira separar o fichamento por temas (no fichamento sobre júri, por exemplo, inserem vários trechos de livros diferentes).

A reunião das citações por livros (e não por temas) poderia gerar uma desorganização e um problema para encontrar os trechos sobre determinado tema. Para evitar que isso ocorra, adiciono “hashtags” no final de cada trecho quando a citação não tem a palavra-chave.

A seguir, apresentarei alguns trechos da parte de Direito Penal do meu banco de citações doutrinárias. Para que você entenda o meu modelo de fichamento, ressalto que, na parte superior, há o nome da disciplina (Direito Penal), que, no Google Drive, destaco como “título”.

Em seguida, há o nome do livro, que coloco como “título 2” no Drive, para que apareça na estrutura de tópicos do documento (veja isso no Google Drive em “visualizar” e, em seguida, “abrir estrutura de tópicos do documento”), que funciona como um sumário do arquivo.

Logo depois, insiro a referência exata, isto é, como o livro deve ser citado como referência/bibliografia em artigos, livros e peças. Deixar essa referência no arquivo facilita a utilização dos fichamentos, evitando que, a cada utilização, tenha que fazer a referência inteira. Depois da referência, o “P.” é a página do livro em que está aquele trecho. Dessa forma, após o “P. 70”, por exemplo, estão os trechos da página 70.

Por fim, após cada citação, insiro uma “etiqueta” quando não há, no respectivo trecho, a palavra-chave daquele conteúdo. Nesse diapasão, se destaco um trecho que mencione o conceito de Direito Penal pelo viés formal, mas sem mencionar “Direito Penal formal”, insiro uma etiqueta logo após o trecho, o que facilita a pesquisa.

Da mesma forma, se o trecho fala sobre o nazismo, mas usa outra palavra (“nazista”, por exemplo), insiro uma etiqueta com a palavra “nazismo”. No mesmo sentido, se o trecho se refere a determinado autor que não é mencionado na citação (basta ver o exemplo com Jakobs a seguir).

Também é relevante salientar que utilizar o banco de citações de outra pessoa seria uma farsa acadêmica, porque não se saberia o contexto de cada trecho. O importante é fazer esses fichamentos, lendo e destacando os trechos que considere mais importantes. Além disso, o banco de citações é algo muito pessoal. Por esses e outros motivos, destacarei apenas poucos trechos de dois livros que fichei integralmente.

Em suma, o banco de citações que utilizo é nesse formato:


Direito Penal

LIVRO: Curso de Direito Penal brasileiro – Luiz Regis Prado

PRADO, Luiz Regis. Curso de direito penal brasileiro: parte geral. Vol. 1. 12. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013.

(…)

  1. 70:

“O Direito Penal é o setor ou parcela do ordenamento jurídico público que estabelece as ações ou omissões delitivas, cominando-lhes determinadas consequências jurídicas – penas ou medidas de segurança (conceito formal).”

#Direito Penal formal

“De outro lado, refere-se, também, a comportamentos considerados altamente reprováveis ou danosos ao organismo social, que afetam gravemente bens jurídicos indispensáveis à sua própria conservação e progresso (conceito material).”

#Direito Penal material

(…)

LIVRO: Movimento antiterror e a missão da magistratura – René Ariel Dotti

DOTTI, René Ariel. Movimento antiterror e a missão da magistratura. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2005.

  1. 11:

“O chamado direito penal do inimigo é a ressurreição de uma concepção nazista sobre o ser humano.”

#Nazismo #Jakobs

(…)

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Evinis Talon

Mestre em Direito. Professor. Advogado.

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