• 1 de dezembro de 2020

Caio Coppolla e os ataques à advocacia

 Caio Coppolla e os ataques à advocacia

Caio Coppolla e os ataques à advocacia

A CNN Brasil tem realizado em sua programação um quadro chamado “O Grande Debate”, no qual dois debatedores com pontos de vistas diferentes comentam sobre um mesmo assunto. Segundo a própria emissora, o objetivo do quadro é que público possa ouvir visões diferentes sobre o mesmo assunto e possa, assim, moldar a sua opinião.

Os temas do debate são diversos, no entanto não é raro que assuntos fora do tema sejam chamados pelos debatedores. Nesse ponto, destaca-se o debatedor Caio Coppolla, bacharel em direito e comentarista político, que, por diversas vezes, utilizou-se de seu palanque de fala para atacar a advocacia criminal, e, por diversas vezes, acaba sendo repreendido por ser debatedor, Augusto de Arruda Botelho, advogado criminalista.

Por não raras vezes, Caio Coppolla tentou atacar seu debatedor através de sua profissão, alegando que o mesmo jamais seria defensor de criminosos, referindo-se ao fato de Augusto já ter sido defensor de réus na Lava Jato, numa clara utilização da falácia conhecida como ad hominem, na qual Caio tenta desmerecer os argumentos de seu debatedor atacando sua pessoa, através de sua profissão.

Os ataques escalaram de tal maneira, que, em um programa sobre se o vídeo da reunião ministerial deveria ser liberado, Caio Coppolla, ao ser confrontado por Augusto, exclamou a frase:

não sou garantista nem de ocasião, me ponha de fora da sua laia (…) eu não faria o que vocês faz doutor, nem por todo dinheiro do mundo(…).

Após tal frase, a mediadora do debate precisou se insurgir e repreender Coppolla, o que foi acompanhado por um desagravo feito por  Augusto contra a falta de respeito apresentada pelo debatedor, não só ao seu “rival do debate” como para toda a advocacia criminal. Não muito para a surpresa de todos, estes ataques à advocacia tornaram a acontecer em recente programa (09/06), no qual Coppolla afirmou que advogados são muitas vezes cúmplices de seus clientes.

O que não parece ser de conhecimento, ou é apenas ignorado pelo debatedor é que o mesmo está lá para ajudar a formar a opinião de brasileiros espectadores do programa da CNN, conforme a própria chamada do quadro clama ser seu objetivo.

Desta forma, estes vis ataques à advocacia terminam por influenciar o público leigo a acreditar que o advogado criminalista é tão criminoso quanto seu cliente, que os advogados seriam também culpados pelos crimes que alegadamente seus clientes cometeram, favorecendo o discurso de “defensor de bandido” que todos já devem ter ouvido em churrasco em família.

Estes ataques são ainda mais graves quando praticados por um bacharel em direito, sujeito que concluiu o curso que todos outros advogados do país, ou seja, uma pessoa que deveria ter uma dimensão da gravidade de seus ataques.

A advocacia criminal surge como um escudo para proteger os cidadãos do Estado, o Estado que o investiga através da polícia, o acusa através da promotoria, o julga através do poder judiciário.

Para tanto, advogados criminais apenas tem ao seu lado as regras do jogo impostas pelo próprio Estado, em última ratio, o advogado tem a árdua tarefa de jogar contra o Estado, com as regras impostas por este mesmo Estado!

Advogados criminais não podem jamais ser confundidos com seus clientes, ainda que estes sejam culpados, uma vez que não defendem pessoas, mas sim o indispensável direito de defesa que é a única barreira que nos separa da tirania.

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Douglas Rosa