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Carnaval: os maus-tratos por trás das fantasias

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Carnaval: os maus-tratos por trás das fantasias

Carnaval é sinônimo de diversão, música, samba e fantasias coloridas, com penas e plumas.

Porém, por trás do colorido das penas e plumas ocorre uma terrível atrocidade. Enquanto muitas pessoas não percebem nem questionam a origem dos adornos das fantasias das escolas de samba, outras chegam a pensar que as penas utilizadas ‘caem naturalmente’ das aves. Entretanto,

gansos, faisões, pavões, patos e avestruzes têm suas penas cruelmente arrancadas para suprir a demanda das escolas de samba. Suas penas são arrancadas com os pobres dos animais vivos e conscientes de toda dor e humilhação (MOURA, [s.d.]).

Moura ([s.d.]) ainda explica o processo de retirada das penas:

Uma das técnicas é amarrar a pata deles e arrancar em forma de zíper. Como eles lutam neste processo, muitos deles sofrem fraturas. Para você imaginar, o avestruz tem suas penas arrancadas por aproximadamente quarenta anos. É muito tempo de sofrimento.

Pode-se, então imaginar a dor pela qual passam esses animais, com o único propósito de tornar fascinantes as fantasias de Carnaval.

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Fantasia de rainha de bateria do carnaval 2011 com 700 penas de faisão. (Fonte da imagem: Agência de Notícias de Direitos Animais, 2014)

Em geral, essas aves são criadas em países como África do Sul, China e Índia.

O Brasil é um dos maiores importadores de penas e plumas, apenas para o Carnaval. Os Grupos Especiais das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo consomem aproximadamente três toneladas de penas (ARANTES, 2018)

É uma verdadeira indústria, pois UMA pena de faisão pode custar mais de R$ 100,00 (CARNAVAL GERA INDÚSTRIA DE CRUELDADE…, [s.d.]) e, de acordo com Arantes (2018),

cada escola do grupo especial usa, por ano, por volta de 70 a 150 kg de penas. E cada kg custa mais ou menos R$ 2.500. E, para cada quilo deste material, é necessário o sofrimento de dois animais.

Provando que para existir Carnaval não precisa haver maus-tratos aos animais, a escola de samba Águia de Ouro ficou em 1º lugar no grupo de acesso do carnaval paulistano em 2018.

Em 2017, a escola desfilou sem o uso de nenhuma pena ou pluma. Na ocasião, a escola se comprometeu a não mais usar penas ou plumas verdadeiras, de origem animal, nos desfiles.

Em 2019, portanto, a Águia de Ouro apresentará mais uma vez o seu desfile sem crueldade animal no grupo de elite do carnaval de São Paulo (CHAVES, 2018).

Conclui-se, portanto, que para haver luxo e beleza no Carnaval não é necessário submeter as aves ao sofrimento. Espera-se que outras escolas sigam o exemplo da Águia de Ouro e coloquem fim aos maus-tratos, pois é plenamente possível substituir penas e plumas naturais por artificiais.

Somente assim o Carnaval será sinônimo de alegria. Para todos, humanos e não-humanos.


REFERÊNCIAS

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DE DIREITOS ANIMAIS. Carnaval também é época de maus-tratos contra animais. 2014. Disponível aqui. Acesso em: 2 mar. 2019.

ARANTES, Patrícia. Carnaval: crueldade e morte de animais com uso de penas e plumas. 2018. Disponível aqui. Acesso em: 2 mar. 2019.

CARNAVAL gera indústria de crueldade com aves por causa de suas penas. [s.d.]. Disponível aqui. Acesso em: 2 mar. 2019.

CHAVES, Fabio. Sem penas ou plumas verdadeiras, Águia de Ouro vence grupo de acesso e volta à elite do carnaval. 2018. Disponível aqui. Acesso em: 2 mar. 2019.

MOURA, Adriana Paula. Carnaval: alegria para uns, sofrimento para outros. [s.d.]. Disponível aqui. Acesso em: 2 mar. 2019.


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Autor

Mestre em Direito Animal. Especialista em Farmacologia. Médica Veterinária.
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