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Carnaval de Salgueiro resgata Massacre Indígena e denuncia exploração em enredo

Massacre Indígena é Tema de Destaque no Carnaval de Salgueiro

A escola de samba Salgueiro escolheu para este ano o enredo “Hutukara”, que chama a atenção para os recentes males causados pelo garimpo na terra dos Yanomamis e a indiferença do poder público em relação a essa issue. Porém, a exploração dos recursos naturais nessa região não é um problema recente e tem causado sofrimento para o povo originário há décadas.

A ala 16 do desfile, intitulada “Massacre de Haximu”, representa um triste episódio histórico ocorrido há mais de 30 anos com esses indígenas. No ano de 1993, uma chacina foi encomendada por um garimpeiro, resultando na morte de 16 indígenas – incluindo homens, mulheres e crianças – que habitavam a região montanhosa da Terra Yanomami, conhecida como Haximu, localizada em Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

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Imagem: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

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A importância da memória

Para a professora Tatiana Fagundes, a escolha do tema tem a finalidade de ampliar a compreensão do público sobre a história dos Yanomamis e ainda provocar uma reflexão sobre a situação atual desses povos.

A professora Fagundes explica que o carnaval oferece uma oportunidade única de trazer a debate temas sérios, ao mesmo tempo em que celebra a diversidade cultural e a alegria que caracterizam esse evento. “É importante que esses temas apareçam porque fazem parte da história do nosso país”, afirma.

A representação do massacre

O massacre de Haximu foi o primeiro e único caso de julgamento por genocídio indígena no Brasil até hoje. Devido à sensibilidade do tema, os figurinos da ala retratam a morte dos indígenas de maneira simbólica, com caveiras e um bilhete manchado de sangue. Máscaras mortuárias predominam na fantasia, reforçando o simbolismo da morte. Porém, apesar da realidade sombria que a vestimenta pretende retratar, membros da ala demonstram orgulho na representação histórica que estão carregando.

Nicole Santos, biomédica e integrante da ala, diz que, apesar do tema trágico, a fantasia é muito bem-feita e respeita a história que representa. “Alguém tem que contar, mas é importante também”, conta.

Samara Silva, técnica em radiologia, também elogia a confecção da vestimenta. “Apesar do significado triste, mas necessário, a fantasia é maravilhosa, boa para a evolução e espero trazer o título do Salgueiro, que traz para o carnaval história de um povo originário tão sofrido e importante para o nosso país”, ressalta.

O massacre de Haximu é assim resgatado na memória coletiva e fortalece a luta dos povos indígenas, demonstrando que, apesar de todas dificuldades, são resistência viva e fonte de inspiração cultural do nosso país.

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