• 13 de dezembro de 2019

Cary Stayner, o assassino do Parque Yosemite

 Cary Stayner, o assassino do Parque Yosemite

“Nós nos divertimos muito” (Cary Stayner, referindo-se a uma de suas vítimas)

A PERSONALIDADE

Cary A. Stayner nasceu em 13 de agosto de 1961, na cidade de Merced, Califórnia, e sua infância foi marcada por terríveis episódios. Em 1972, seu irmão mais novo Steven Stayner foi sequestrado, quando tinha apenas sete anos de idade, pelo agressor sexual Kenneth Parnell.

Steven conseguiu fugir após ter sido mantido em cativeiro durante sete anos, e o crime obteve repercussão nacional. Porém, Steven morreu em 1989 após um acidente automobilístico, quando retornava do trabalho.

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Cary abraça sua mãe, após saber a notícia da morte do irmão

Em 1990, mais uma morte em sua família. O tio de Cary, Jesse Stayner foi vítima de homicídio.

Atravessando momentos difíceis, Cary Stayner tentou suicídio em 1991 e foi preso em 1997 por posse de maconha e metanfetamina, mas as acusações foram retiradas.

OS CRIMES

Ainda em 1997, após as acusações serem retiradas, Cary Stayner foi contratado para trabalhar como zelador em um hotel na cidade de El Portal, na Califórnia, na entrada para o Parque Nacional de Yosemite, nacionalmente famoso pela exuberância de suas belezas naturais, como lagos, cascatas, bosques, sequoias gigantes e desfiladeiros de granito.

Em fevereiro de 1999, Carole Sund, sua filha Julie Sund e Silvina Pelosso (uma estudante argentina intercambista amiga de Julie) visitavam o parque Yosemite durante a viagem que faziam, tendo a cidade de São Francisco como ponto de partida. A próxima atração da viagem seria uma visita ao Grand Canyon, no estado do Arizona, mas isso não chegou a acontecer.

As três mulheres se hospedaram no quarto 509 do hotel Lodge Cedar, onde Cary trabalhava. No dia seguinte, após o passeio, decidiram que ficariam mais um dia no local, para explorarem melhor o parque.

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O hotel Lodge Cedar

No dia seguinte, o marido de Carole a esperava no aeroporto de São Francisco, para seguirem rumo ao estado do Arizona, mas sua esposa não apareceu. Preocupado, ligou para o hotel que sua esposa havia se hospedado, mas foi informado que elas não se encontravam no quarto e não haviam feito “check-out”.

Desesperado, viajou ao hotel e registrou no local o desaparecimento de Carole, Julie e Silvina, o que deu início a uma busca que envolveu guardas rodoviários, agentes de busca do Parque Yosemite, policiais locais, populares que se sensibilizaram com o ocorrido e até mesmo agentes do FBI. Durante a busca, 27 carros roubados foram recuperados, mas nenhum deles era o veículo alugado por Carole.

Em 19 de fevereiro, na cidade de Modesto, na Califórnia (a cerca de 150 quilômetros do Parque Nacional de Yosemite), um estudante encontrou em um movimentado cruzamento de sua cidade a carteira de motorista de Carole Sund, juntamente com seus cartões de crédito.

Uma equipe especializada do FBI foi designada para acompanhar de perto a investigação, e logo notaram que, exceto o quarto em que as três desaparecidas se hospedaram, todos os outros quartos do hotel estavam vazios na data do fato. Em seguida, perceberam no quarto a ausência de um cobertor e da fronha de um travesseiro, mas não constataram nenhum sinal de violência no local.

Enquanto isso, na cidade de Modesto (onde foi encontrada a carteira de Carole), a investigação constatou que foram realizadas tentativas de acesso à sua conta-corrente por telefone. Esses registros telefônicos levaram a polícia à prisão de dois suspeitos: Eugene Dykes e Michael Larwick, ambos viciados em metanfetamina e com condenações anteriores por sequestro e abuso sexual.

Já na prisão, Michael Larwick negou qualquer participação no crime, mas Eugene Dykes afirmou ter sequestrado a família que se hospedou no quarto 509. Porém, grande parte de suas declarações eram totalmente incompatíveis com as evidências do caso, o que chamou a atenção dos investigadores.

Um mês após o desaparecimento, a polícia recebeu a ligação de um homem que encontrou o carro alugado por Carole, em uma área arborizada a 140 quilômetros do hotel Lodge Cedar. O veículo estava queimado, mas algumas partes foram preservadas, sendo possível assim a identificação.

No porta-malas do carro foram finalmente encontrados os restos mortais de Carole e Silvina (ambas identificadas pelas arcadas dentárias).

A esperança de que Julie ainda estivesse viva acabou em 25 de março. A polícia recebeu uma carta anônima com um mapa, que indicava a provável localização de seu corpo. Os restos mortais de Julie foram encontrados juntamente com o cobertor que havia desaparecido do quarto de hotel.

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As vítimas de Cary Stayner

A carta anônima possuía além do mapa uma mensagem que dizia: “Nós nos divertimos muito com essa”.  Uma impressão digital parcial foi encontrada sob o selo da correspondência, assim como DNA masculino no envelope.

Em julho de 1999, cinco meses após o desaparecimento de Carole, Julie e Silvina, o movimento do Parque Nacional de Yosemite surpreendentemente aumentou, recebendo cada vez mais visitantes.

Em 22 de julho, os guardas locais encontraram em um riacho o corpo de Joie Armstrong, uma professora do Instituto de Yosemite de 26 anos, que havia se mudado para uma cabana no parque poucos meses antes. Seu corpo apresentava sinais de luta corporal, mas sua cabeça não estava no local. Marcas de pneus e de solas de um calçado também foram registradas próximas ao corpo de Joie.

Durante as investigações, visitantes do parque informaram que haviam avistado uma caminhonete nos arredores da cabana no dia anterior. Em seguida, os policiais se depararam com um homem nu, sentado próximo a um riacho e fazendo uso de maconha.

O homem era Cary Stayner, zelador do hotel Lodge Cedar. Ele permitiu que os policiais revistassem e fotografassem seu veículo e logo foi liberado.

Após a cabeça de Joie Armstrong ser encontrada, agentes do FBI dirigiram-se ao hotel onde Cary Stayner trabalhava, com novas perguntas ao zelador, que negou estar próximo da cabana de Joie no dia de sua morte, porém as marcas de pneu encontradas no local eram compatíveis com os pneus de sua caminhonete que havia sido fotografada pelos policiais.

Verificando os registros de trabalho do hotel, os agentes perceberam que no dia do homicídio de Joie, Cary Stayner não trabalhou no Lodge Cedar.

A PRISÃO

Em 24 de julho de 1999, Cary Stayner foi abordado por agentes do FBI enquanto almoçava em um restaurante de um acampamento de nudismo nos arredores da cidade de Sacramento, Califórnia.

Levado à delegacia, Stayner foi fotografado e forneceu suas impressões digitais. Momentos antes de prestar seu depoimento, confessou ter sequestrado e matado Carole Sund, Julie Sund, Silvina Pelosso e Joie Armstrong.

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O assassino do Parque Yosemite sendo levado pelas autoridades policiais

Carole e Julie foram estranguladas no quarto 509, quando Stayner disse que precisava entrar para realizar um conserto no banheiro. Seus corpos foram colocados no porta-malas do veículo que elas haviam alugado e que posteriormente foi abandonado por Stayner em um município próximo. Julie foi morta após ser abusada sexualmente e teve seu corpo escondido. Dois dias depois, Stayner retornou e incendiou o veículo.

Cary confessou também que jogou a carteira de Carole em um cruzamento na cidade de Modesto, com o intuito de despistar a polícia, além de pagar um garoto para enviar a carta anônima à polícia. A frase “Nós nos divertimos com essa” foi escrita com o intuito de fazer a polícia acreditar que havia mais de um criminoso envolvido.

Joie Armstrong foi morta após ter sido sequestrada e saltar do carro em movimento, o que enfureceu Stayner, resultando em sua morte.

O JULGAMENTO

Em 14 de setembro de 2000, Cary Stayner se declarou culpado no Tribunal Federal pelo homicídio de Joie Armstrong, sendo condenado à prisão perpétua.

Pelos homicídios de Carole Sund, Julie Sund e Silvina Pelosso, Stayner foi processo e julgado pelo Tribunal Estadual da Califórnia, onde foi condenado à pena de morte.

Caryl Stayner aguarda desde 2008, no “corredor da morte” o cumprimento de sua sentença, na penitenciária de San Quentin, na Califórnia.

Eduardo Dutra Barbosa

Advogado (MG)