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Caso Araceli: o mistério que o Brasil jamais esqueceu

Completando quase 50 anos, o terrível caso da menina Araceli se junta aos mistérios que o Brasil jamais esqueceu, visto que o crime nunca teve uma solução.

A tragédia ocorreu no dia 18 de maio de 1973, no Espírito Santo. quando a menina Araceli Cabrera Crespo foi encontrada morta carbonizada após ser sequestrada, drogada e estuprada.

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Imagem: G1

A data do crime foi estipulada como o Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual Contra Crianças.

O caso é envolto a inúmeros mistérios e informações desencontradas dadas pela polícia, suspeitos e familiares. Depois do julgamento, os acusados acabaram sendo absolvidos e mesmo após quase 50 anos, o caso permanece sem condenação.

Como ocorreu a morte de Araceli

A menina Araceli, de 8 anos, saiu de casa na Serra em direção à escola São Pedro, na Praia do Suá, Vitória, sozinha, como era de costume.

A mãe, Lola Cabrera Crespo, havia pedido para que ela voltasse mais cedo para casa, por conta do horário do ônibus, mas uma testemunha chegou a ver a menina brincando com um gato em um cruzamento perto da escola, e afirmou que ela não havia entrado no coletivo. 

À noite, sem nenhuma notícia do retorno da menina, o pai, Gabriel Sanchez Crespo, iniciou as buscas.

6 dias depois, o corpo de uma criança foi encontrado já em estado de decomposição,  totalmente desfigurado, em uma mata nos fundos do Hospital Infantil, em Vitória. Ao fazer o reconhecimento, os pais constataram que se tratava da menina Araceli. Exames de autópsia confirmaram que, de fato, o cadáver era da criança desaparecida. 

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Corpo desfigurado da menina Araceli. Imagem: Aventuras na História

As investigações sobre o cadáver da menina foram atrapalhadas, pois grande parte das testemunhas estavam sendo ameaçadas. Ninguém queria falar sobre o assunto.

O inquérito apontou como suspeitos Dante de Barros Michelini, Dante de Brito Michelini e Paulo Constanteen Helal, todos membros de famílias influentes do Espírito Santo. 

A acusação afirmou que eles levaram a menina para um bar na praia de Camburi, de propriedade de Dante, estupraram a menina e a deixaram sob o efeito de drogas. Ela teria entrado em coma e sido levada ao hospital já morta, e o corpo foi jogado em uma mata próxima.

Julgamento pela morte da menina 

Segundo denúncia do promotor Wolmar Bermudes, Dantinho (Dante de Brito Michelini), que era um latifundiário que gozava de muita influência na época, teria utilizado esta influência com oficiais da ditadura para não ser condenado pelo crime, eis que o crime ocorreu no meio do período ditatorial brasileiro.

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Acusados pela morte de Araceli. Imagem: Aventuras na História

O homem tinha forte ligação com a polícia capixaba e a usou para dificultar o trabalho de investigação dos policiais. 

Durante o julgamento, Paulo Helal e Dantinho negaram todos as acusações contra eles, mas o juíz Hilton Silly condenou os acusados a 18 anos de reclusão e o pagamento de uma multa de 18 mil cruzeiros. 

Dante Michelini (filho de Dantinho), por sua vez, foi condenado a 5 anos de encarceramento, por menor participação no crime.

Queima de arquivo

O caso da morte da menina teria resultado em 14 óbitos, de possíveis testemunhas e pessoas interessadas em desvendar o crime.

O autor José Louzeiro, que escreveu o livro Araceli, Meu Amor, relatou que sofreu tentativas de queima de arquivo para que não publicasse a obra. 

Denúncias de subornos a policiais e álibis forjados também estavam presentes na investigação do assassinato da menina. 

Tribunal de Justiça do ES absolve acusados

Os acusados recorreram e o Tribunal de Justiça do Espírito Santo anulou a sentença proferida em 1º grau.

O novo juíz responsável, Paulo Capolilo, escreveu uma sentença de mais de 700 páginas de absolvição para os 3 acusados, fundada na falta de provas suficientes. 

O processo foi engavetado e até hoje permanece um mistério sem solução.

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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