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Caso Daniele Alves: a morte que foi transmitida ao vivo em rede nacional

Daniele Alves: O suicídio transmitido ao Vivo que chocou o Brasil

Em 1991, o Brasil foi apresentado a um novo estilo de telejornalismo com o lançamento do “Aqui Agora” no SBT. Diferente dos outros telejornais da época como o “TJ Brasil” e o “Jornal Nacional”, o “Aqui Agora” se destacou pela sua abordagem sensacionalista, foco no entretenimento e o uso de uma linguagem popular para envolver o público em suas matérias. Eram comuns cenas de repórteres correndo com a polícia atrás de bandidos e matérias caracterizadas pelo sensacionalismo melodramático que ecoavam a indignação pública. Informação, nesse contexto, era deixada em segundo plano.

Essa proposta de noticiário “pinga sangue”, como ficou conhecido, era apresentado por uma equipe de peso, composta por nomes como Ivo Morganti, Christina Rocha, Patrícia Godoy, Adilson Maguila Rodrigues, Celso Russomanno, Roberto Cabrini e o inesquecível Gil Gomes, conhecido por seu comportamento irreverente e voz marcante.

Daniele Alves
Imagem: Reprodução/ Veja

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O infame caso Daniele Alves gerou discussão sobre os limites do jornalismo

Em 1993, durante o auge de sua popularidade, um caso específico gerou um intenso debate sobre o limite do sensacionalismo no jornalismo. Na ocasião, uma jovem, Daniele Alves Lopes, ameaçava pular de um edifício residencial em São Paulo. O repórter do Aqui Agora, Sérgio Frias, acompanhado do cinegrafista José Meraio chegaram ao local junto com os socorristas e a tragédia foi registrada em vídeo, incluindo o momento da queda.

Como o caso impactou o Aqui Agora e o jornalismo brasileiro?

A exibição desse caso, sem qualquer tipo de censura ou preocupação com a delicadeza da situação, causou uma série de críticas e reflexões sobre a postura assumida pelo “Aqui Agora”. Maria Baccega, professora da Escola de Comunicações da USP na época, apontou que o programa transformou algo terrivelmente doloroso em uma atração mórbida para aumentar a audiência.

Daniele Alves
Imagem: reprodução/ TV Foco

A repercussão do telejornal “pinga-sangue”

Apesar do alto índice de rejeição e das controvérsias, o Aqui Agora abriu caminho para outros telejornais similares que priorizavam o apelo sensacionalista ao invés de entregar notícias de forma mais séria e informativa. No entanto, ao longo dos anos, a popularidade do gênero “pinga sangue” foi diminuindo devido à resposta negativa do público e a preocupação em torno da responsabilidade do jornalismo na sociedade.

Redação

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