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Caso das latas de maconha: como praias cariocas foram tomadas por 22 toneladas de droga

Verão da Lata: A surpreendente história do carregamento de maconha encontrado no litoral brasileiro

No final de setembro de 1987, pescadores do litoral carioca encontraram maconha embalada em latas de leite em pó no mar. A surpresa deixou a população apreensiva e deu início a um episódio histórico conhecido como “Verão das Latas“.

Os fatos vieram à tona depois que a Polícia Federal recebeu um alerta dos EUA sobre um navio australiano, o Solana Star, que estava transportando cerca de 22 toneladas de maconha. A tripulação, ao perceber que estava sendo caçada, decidiu jogar toda a carga no mar.

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Imagem: reprodução/ The Summer Hunter

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Como isso se tornou o famoso “Verão das Latas”?

A partir de 20 de setembro, latas começaram a aparecer flutuando pela costa do Rio de Janeiro e São Paulo. A população se aventurava na caçada ao estranho “tesouro”. Contudo, mesmo que a procura pelas latas fosse grande, o medo de serem presos também era.

O episódio ocorreu em um período instável do Brasil, em uma fase de transição entre o final da ditadura e a democracia plena. De acordo com o autor do livro “Verão da Lata”, Wilson Aquino, houve certa tolerância da polícia uma vez que as latas estavam dispersas. Mas também houve repressão, houve operações policiais em todo cais.

Qual foi o impacto na sociedade brasileira?

Segundo Wilson Aquino, da quantidade total de latas lançadas ao mar, somente cerca de 2 mil foram apreendidas pela polícia. O restante do “tesouro” foi recolhido pela própria população, sem a interferência de traficantes. O autor destaca que nunca foi registrado o envolvimento de traficantes profissionais nessa situação.

O episódio do “Verão da Lata” ocasionou mudanças na cultura do consumo de maconha no Brasil. Aquino destaca que o episódio influenciou diretamente a qualidade da maconha vendida posteriormente no país. Saiu o produto de qualidade duvidosa e entrou a maconha prensada, de melhor qualidade.

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Imagem: reprodução/ History UOL

E a tripulação do Solana Star?

Após despejarem as latas no mar, a tripulação pediu autorização para atracar no Porto do Rio para reparos no motor. Durante esse período, a maioria dos tripulantes, com exceção do cozinheiro Stephen Skelton, deixou o país.

Quando a polícia identificou o Solana Star como o navio suspeito, apenas Skelton estava no país e foi preso imediatamente. Condenado a 20 anos, ficou preso apenas um ano, pois a quantidade encontrada no barco era considerada pequena para um caso de tráfico internacional.

À época, o caso gerou grande repercussão na mídia e, passados 36 anos, o “Verão da Lata” ainda é lembrado com curiosidade e intriga. O autor ressalta o fato de ocorrido em um momento de transição política do país, que contribuiu para a sua reverberação.

Redação

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