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Caso Marielle Franco: cinco envolvidos no assassinato foram mortos desde o crime; saiba quem são

Zico Bacana, um dos mortos, foi mencionado como líder de grupos milicianos em um relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)

Após o falecimento do ex-vereador Jair Barbosa Tavares, também conhecido como Zico Bacana, no dia 7 de agosto, o número de indivíduos envolvidos no caso da morte da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 14 de março de 2018, aumentou para cinco. Zico Bacana já foi mencionado como líder de grupos milicianos em um relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2018, ele também prestou depoimento durante uma investigação sobre o assassinato de Marielle.

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De acordo com informações da Polícia Militar (PM), os tiros que resultaram na morte de Zico Bacana foram disparados a partir de um veículo não identificado que estava estacionado em frente a um estabelecimento comercial no bairro de Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro. Outros quatro indivíduos relacionados ao caso Marielle, também foram assassinados.

Macalé, cujo nome verdadeiro era Edmilson da Silva de Oliveira, foi morto a tiros em 2021, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele era um sargento reformado da Polícia Militar e supostamente intermediou o contato entre o ex-PM Ronnie Lessa e os responsáveis ​​por contratá-lo para assassinar Marielle.

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Fonte: Meio Norte

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que Macalé participou ativamente da vigilância de Marielle nos meses anteriores ao assassinato, com o objetivo de determinar o momento em que Lessa executaria o crime. Também foi acusado de fornecer o carro usado no assassinato de Ronnie Lessa e Maxwell Simões, também conhecido como Suel.

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como capitão Adriano, também foi morto durante uma operação policial na cidade de Esplanada, na Bahia, em 2020, enquanto tentava escapar da captura. Ele era apontado como líder da milícia carioca “Escritório do Crime”, da qual Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle, também fazia parte.

Além disso, Adriano foi associado ao esquema de desvio de salários de assessores, conhecido como rachadinha, que envolve o senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Esses eventos destacam a complexidade e a obscuridade em torno do caso Marielle Franco e sua ligação com indivíduos envolvidos em atividades ilícitas no Rio de Janeiro.

Apesar de estar sob suspeita de envolvimento na morte de Marielle, o capitão Adriano estava sendo procurado pela justiça por conta de outras atividades ilícitas. Ele foi acusado pelo Ministério Público de estar envolvido em esquemas de invasão de terras, negócios irregulares de compra, venda e aluguel de propriedades, cobrança automática de taxas da comunidade local, além de extorsão e receptação de mercadorias roubadas em Rio das Pedras.

Hélio de Paulo Ferreira, também conhecido como o “Senhor das Armas”, foi morto a tiros em fevereiro de 2023, numa área disputada entre grupos paramilitares e traficantes na zona oeste do Rio. Segundo a Polícia Militar, agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram despachados para verificar disparos de armas de fogo e localizar três pessoas falecidas, incluindo Hélio de Paulo Ferreira.

A Delegacia de Homicídios está investigando o caso. Hélio foi interrogado pela Polícia Civil do Rio no início da investigação sobre a morte de Marielle. Ele foi mencionado como um dos associados do também miliciano e ex-policial militar Orlando Oliveira de Araujo, conhecido como Orlando de Curicica.

Lucas do Prado Nascimento da Silva, conhecido como Todynho, foi morto em abril de 2018, menos de um mês após o assassinato da ex-vereadora, numa emboscada na Avenida Brasil, no Rio. A Polícia Civil identificou Todynho como o indivíduo responsável por alterar os documentos do veículo utilizado no assassinato de Marielle e Anderson. A Delegacia de Homicídios do Rio chegou a investigar se a emboscada seria uma queima de arquivo, mas o caso também não foi solucionado.

Em 14 de março de 2018, Marielle foi assassinada no centro do Rio de Janeiro, enquanto saía de um evento voltado para mulheres negras

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Fonte: Brasil de Fato

Relembrando o caso, em 14 de março de 2018, Marielle foi assassinada a tiros no bairro do Estácio, no centro do Rio de Janeiro. Enquanto saía de um evento voltado para mulheres negras, a vereadora foi alvejada por quatro tiros na cabeça. O motorista do veículo, Anderson Gomes, também foi atingido por três tiros nas costas e faleceu. Ronnie Lessa, ex-policial militar detido preventivamente desde março de 2019, é apontado como o principal suspeito dos assassinatos. De acordo com Élcio de Queiroz, Lessa foi o responsável pelos disparos que ceifaram a vida de Marielle e Anderson.

Queiroz, também ex-policial militar e preso preventivamente desde março de 2019, era o motorista do veículo que seguia Marielle e Anderson pelo centro do Rio. Em junho deste ano, ele fez uma delação premiada na qual confessou envolvimentos no crime e forneceu mais detalhes sobre a execução aos investigadores. Em 2020, ele foi condenado a cinco anos de prisão e multa por posse ilegal de munição e armas de fogo. A identidade do mandante do crime ainda não foi determinada pelos investigadores.

Fonte: GZH

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

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