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Colei grau, passei na prova da OAB. E agora?


Por Jean de Menezes Severo


 

Feliz 2016, meus amigos! Coluna de volta com tudo! Hoje, meu escritório é na praia. Escrevo aqui da praia do Rosa em Santa Catarina; lugar mágico.

Depois de doze anos de formado, vou conseguir ter mais do que uma semana de férias. Meu compromisso diário está sendo com a cerveja gelada, o sol, o mar e dar uma atenção especial à família.

Quero, mais uma vez, amigo leitor, agradecer a você que elegeu um dos meus textos como o Número 1 em 2015. Fiquei muito feliz e emocionado por vocês terem me dado essa “moral”. O rábula diplomado aqui ficou todo “bobo” em saber que seu texto foi o mais lido no ano que passou. Obrigado, de coração. Agora, chega de conversa mole e vamos ao que interessa: a primeira coluna de 2016!

Durante o ano passado, e no começo deste ano, tenho sido perguntado in box, pelos leitores e amigos das redes sociais, o que fazer após a formatura, como iniciar com o pé direito na advocacia criminal e ter um escritório autossustentável, fazendo ainda sobrar um dinheiro para o advogado manter-se, afinal de contas, contrariando o pensamento de muitos clientes, advogado paga contas, precisa alimentar-se, vestir-se de forma condizente com a profissão e aproveitar a vida e, para isso, necessitamos receber nossos honorários em dia.

Divido esta coluna em dois momentos, quais sejam: Do aluno que ainda está cursando a faculdade e do advogado recém-formado. No entanto, a preocupação de ambos é somente uma: Como começar a fazer sua clientela e receber pelo seu trabalho?

O melhor mesmo, meus jovens, é que, durante a faculdade, já nos primeiros semestres, o aluno procure um escritório evidentemente voltado para a especialidade que ele futuramente irá exercer, mas como fazer isso? Aqui, não existe mistério. É preciso ser “cara dura”, “cara de pau”, chegar junto daquele professor que você mais se identifica e pedir para ele uma oportunidade de TRABALHO, e não emprego.

Teu interesse inicial tem que ser em aprender como advogar, coisa que a faculdade não ensina. Deixar claro que teu interesse é não ser mais um na multidão, não fala em dinheiro, salário, foca no trabalho e naquilo que você pode acrescentar ao escritório. Não te esquece: o escritório não precisa de você, mas você dele; procure sempre dar o teu melhor, mais do que 100%. Assim que se começa.

Hoje também temos as redes sociais que facilitam muito encontrar uma oportunidade profissional. Chega junto, pede uma chance e já aviso: não vai ser no primeiro pedido que você terá êxito; tem que ser “chato”, no bom sentindo, e correr atrás. Assim, quando o estudante estiver para se formar, tudo será um pouco mais fácil para aquele que suou mais que os outros. Estudar e trabalhar ao mesmo tempo não é fácil, mas se torna necessário quando não nascemos em berço esplêndido.

E para o advogado recém-formado que deseja abrir seu escritório criminal, o melhor conselho que eu posso dar são os seguintes:

1) Procure as varas criminais mais próximas de sua cidade e candidate-se como defensor dativo

Eu sei é difícil e você terá que pagar para trabalhar, no entanto, é indispensável que você faça isso, ou tu achas que o cliente mais abastado vai te procurar no início de carreira? É claro que não.

Atuando como defensor dativo, o recém-formado começa a ganhar experiência, o que é vital para o bom advogado criminal. Isso lhe dará segurança para trabalhar nos processos futuros, além do mais, se você fizer um bom trabalho com aquele preso, é certeiro que ele vai te fazer uma boa propaganda com os outros presos. Ele vai dizer: Meu “anel” é bom. O cara é pau ferro. Vai nele fulano…

E assim se inicia um ciclo virtuoso de trabalho. Vão por mim que dá certo!

2) Sabe aquela associação de moradores do bairro, ou da igreja?

Aproximem-se deles e oferece teu trabalho. Agenda um atendimento semanal, uma ou duas vezes na semana, dá atenção para o teu cliente, trata ele com respeito e carinho. Às vezes, aquele cliente não vai te pagar os maiores honorários, mas o que ele te indicar vai!

3) No inicio de um escritório, não te ilude: é clínica geral

Eu sei que não é fácil, mas as contas não vão esperar até você se tornar o “bambambam” do direito criminal da tua cidade, portanto, “arregaça as mangas” e encara o que vier.

Ademais, atuando em outras áreas no inicio de carreira, é importante até mesmo para vocês sentirem como funciona a sistemática processual de cada especialidade. Isso dá uma segurança absurda no futuro. Não adianta; no começo da carreira, TODOS os grandes criminalistas atuaram em outras áreas do Direito, mesmo a contra gosta e tenho certeza que não se arrependeram.

4) Se você tiver condições de continuar a estudar, melhor

Advoga e tenta fazer um curso de aperfeiçoamento, uma pós, mestrado… Não deixa de estudar, de se atualizar, é importante o contato com outros colegas, com professores, porque tudo isso faz uma enorme diferença no final.

Advogado tem que ser visto, seja no foro, nas delegacias, tribunais… Procura escrever artigos jurídicos, se aproxima da OAB da tua cidade, mexm-se! A concorrência é grande e “quem menos corre, voa”.

Acho que essas são as melhores dicas que posso dar. Surgindo outras, prometo que escrevo.

Agora, vou tomar meu banho de mar, beber uma bem gelada, pois sou filho de Deus, e daqui a alguns dias, começa tudo de novo: terno e gravata, audiências, júris e confesso que adoro tudo isso.

JeanSevero

Autor

Jean Severo

Mestre em Ciências Criminais. Professor de Direito. Advogado.
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