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Colômbia conseguiu colocar fim na guerra às drogas?

Legalização da maconha na Colômbia: O desmonte do narcotráfico

Um país tradicionalmente associado ao tráfico de drogas está prestes a passar por uma revolução histórica. A Colômbia, terra natal do lendário narcotraficante Pablo Escobar, e notória pelo ‘Ouro de Santa Marta’, uma das strains de maconha mais procuradas nos Estados Unidos, está avançando para a legalização da cannabis recreativa.

Para entender a importância disso, é preciso lembrar que a Colômbia é um dos maiores produtores globais de narcóticos. Em 2022, o governo dos EUA estimou que o país produzia mais de um milhão de quilos de cocaína, superando em muito os números de Peru e Bolívia, os próximos concorrentes na lista.

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Precisamos repensar a guerra às drogas?

O novo presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou em sua posse: “É hora de aceitar que a guerra contra as drogas foi um fracasso total”, reforçando um projeto de lei apresentado por seu governo que propõe a legalização da maconha recreativa.

Embora a atual legislação colombiana permita a produção de cannabis para fins medicinais, principalmente para exportação para mercados estrangeiros como EUA e Canadá, o narcotráfico ainda é uma importante fonte de receita para diversos criminosos e organizações dentro do país. Com a legalização da cannabis recreativa, milhares de agricultores podem ser afastados do tráfico de drogas e incorporados ao comércio legal.

Quais os impactos dessa mudança para a população da Colômbia?

De acordo com a ONG colombiana Dejusticia, o narcotráfico é a principal causa de detenção no país. Cerca de 13% da população carcerária do país está cumprindo pena relacionada ao comércio de drogas. Com a legalização da maconha, espera-se uma diminuição significativa na população carcerária.

Além disso, a legalização pode beneficiar pequenos produtores que, atualmente, cultivam a planta ilegalmente, a maioria em regiões rurais e subdesenvolvidas do país, para vender sua produção para cartéis de drogas. COCCAM, uma confederação de produtores de coca, maconha e papoula, estima que até 3.000 famílias dependem da maconha ilegal como principal fonte de renda, principalmente no estado de Cauca, no sudoeste do país.

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E quanto à cocaína?

Apesar dos benefícios da legalização da maconha recreativa, o senador colombiano Gustavo Bolivar, membro da equipe do novo presidente, é claro ao apontar que “A maconha é peixe pequeno no tráfico de drogas. O dinheiro que os cartéis ganham, e a maior parte do problema, vem da cocaína.” Bolivar, assim, defende que o sistema regulatório colombiano deveria vislumbrar a legalização não somente da maconha, mas também da cocaína.

Essa é uma questão complexa e polêmica que demandará muita discussão e que, caso vença todas as barreiras legais, representará uma enorme mudança cultural e uma grande vitória na luta contra o narcotráfico.

Redação

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