• 30 de setembro de 2020

Como diagnosticar um homicida em série?

 Como diagnosticar um homicida em série?

Como diagnosticar um homicida em série?

Nem sempre a loucura leva ao crime. Mas o crime pode levar à loucura. – Ilana Casoy

A possível identificação exata de um homicida em série é um tanto duvidosa, já que a mente humana não possui uma “fórmula” a ser seguida, tendo cada uma suas características e particularidades. Contudo, ressalta-se que ninguém nasce um homicida: são pessoas comuns que, no percurso de suas vidas, construíram “conflitos internos”, tendendo ao comportamento desviante e violento.

Como diagnosticar um homicida em série

As causas que levam a alguém tornar-se homicida são um tanto subjetivas. Por outro lado, muitos pesquisadores da área afirmam que há uma grande influência da genética que evidenciam o percurso criminal, que poderá ser traçado através de médicos psiquiatras, legistas ou psicólogos.

O denominador comum entre eles é a falta de empatia, o sadismo e o comportamento antissocial. Normalmente agindo com o mesmo modus operandi, o assassino em série se adapta ao critério “oportunidade”, podendo escolher uma vítima específica ou então um dia e horário propício para cometer o delito.

A identificação do perfil criminoso é mais simples quando há “um ponto de partida e o motivo do crime”, diferentemente do perfil do serial killer, onde para esse o motivo costuma ser normalmente desconhecido, pois age pelo simples desejo de matar, sem se importar com as consequências que poderão advir de seus atos imprudentes e hediondos.

Neste sentido, Rubens Correia Junior (2019, p. 120), salienta que “a individualidade, vivência e pertencimento de cada sujeito são únicos e peculiares”, aduzindo que não há um padrão comportamental de homicidas em série.

Além disso, Rubens aponta que estudos criminológicos concordam que problemas genéticos e a diferenciação do cérebro dos psicopatas são características “secundárias”, aduzindo que tais apontamentos não são fatores determinantes para que um indivíduo se torne um assassino.   

Contudo, conforme estudos apontam, os fatores sociais também possuem uma grande influência no desenvolvimento de um assassino serial, já que, se formos observar as estatísticas, verificaremos que normalmente são pessoas que já sofreram algum tipo de abuso na infância, bem como histórico de violência intrafamiliar. Influências essas causadas ainda por fatores biológicos e psicológicos.

Assim, a investigação criminal é de extrema valia para a identificação do perfil criminoso de um homicida em série, levando-se em conta o modo de matar (que normalmente é feito contra vítimas distintas), a motivação (como a vingança contra mulheres ou a dominação sobre a vítima) e, ainda, se há algum tipo de alteração mental que os influencie, como a psicose ou a esquizofrenia.

Após a identificação do perfil criminoso do assassino serial, as autoridades ficam na contramão do que realmente poderia ser feito para “punir” tais indivíduos, vez que não podem ser internados em centros psiquiátricos, porque não são “loucos”, mas se forem colocados em liberdade após o cumprimento da pena, poderão reincidir. Então, o que fazer contra esse mal que atinge a sociedade?

A questão será analisada em um próximo estudo.


REFERÊNCIAS

CASOY, Ilana. Serial killers: louco ou cruel?. Rio de Janeiro: Darkside, 2014.

CORREIA JUNIOR, Rubens. Homicidas em série: quem são eles?. Rio de Janeiro: Tirant, 2019.


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Danielle Ortiz de Avila Souza

Especialista em Direito Penal e Processo Penal e Pós-graduanda em Direito Público. Pesquisadora.