• 2 de abril de 2020

Como lidar com os clientes no início da advocacia?

 Como lidar com os clientes no início da advocacia?

Como lidar com os clientes no início da advocacia?

Um ponto crucial para o desenvolvimento de um advogado iniciante é o cliente. Estamos sedentos por aprendizado, mas somente com um cliente “de verdade” é que podemos ver como é que a coisa funciona. 

O cliente é o que sustenta o escritório e deve ser tratado como prioridade. Todavia, ser prioridade não é a mesma coisa que tratá-lo como amigo. Nessa relação devem haver limites e estes são estabelecidos por nós, os advogados. O cliente deve visualizar claramente que está lidando com um profissional, e que também deve despender de muito respeito e compromisso, pois ser respeitado pelo cliente é fundamental.

Como forma de atingir esse respeito, os limites começam desde a ida do cliente ao escritório, deve haver um esforço mínimo por parte do cliente em ir até o seu escritório/local de trabalho, ou em comparecer na reunião marcada, ainda que em algum outro lugar (fórum, OAB, delegacia…). 

Muitos advogados se desdobram em mil para atender o cliente onde quer ele esteja, da forma que for, sem permitir que o cliente faça o menor esforço, nesse caso, o advogado transmite a imagem de desespero, de alguém que faz tudo para fechar aquela causa, e com certeza (ainda que seja comum querer muito angariar as primeiras causas) essa é a melhor maneira de ter um cliente que te trate como qualquer coisa que não alguém respeitável. É uma porta que você abre para o abuso. E você verá muitos colegas trabalhando nesse ritmo.

Se o cliente não se esforça para ir a uma reunião com você, se você corre muito atrás do cliente para poder lhe prestar assessoria, lhe prestar um serviço, diga-se, “caro”, e não só no limite financeiro da palavra, imagine o que será dos pagamentos, certamente será alguém difícil até de cobrar.

O atendimento ao cliente deve ser o mais profissional e sincero possível, jamais, e repito, jamais prometa nada para ninguém, como operadores do Direito sabemos que é impossível contar com causa ganha ou muito menos com prazos no Judiciário. Você verá muitos profissionais venderem serviços como se o resultado fosse certo, mas não caia nessa tola tentação, com certeza te trará grande descrédito quanto aos seus colegas advogados, que te tratarão como um picareta do Direito, e ainda mais com a propaganda negativa que fará para o cliente, e com certeza é muito mais rapidamente disseminada do que uma boa propaganda. 

O cliente, quando já conhece o sistema penal, sabe que o advogado que promete é um advogado charlatão, que está visando mais o lucro do que o compromisso com a verdade, esse tipo de cliente preza a transparência e sinceridade, e é o caminho para lidar com ele e com todos os outros. Transparência é palavra de ordem na advocacia criminal.

Além de, profundamente descabida a promessa de resultados, o contrato firmado entre advogado e parte não é de resultado, cabendo ao profissional utilizar de todos os meios cabíveis (e lícitos) para defender os interesses do contratante, o próprio procurador se coloca no risco de passar por situação evidentemente desconfortável ao noticiar para seu cliente de que a decisão obtida foi diversa do que aquela prometida na oportunidade em que foi contratado. Em nenhum momento da carreira vale a pena prometer êxito em qualquer ação.

Nunca se esqueça que o único responsável por decidir um processo é o magistrado e que a lei é interpretada por seres humanos, no Tribunal do Júri pelo Conselho de Sentença, onde existem sete juízes da causa com pensamento completamente diferente um do outro, portanto, não é como um simples cálculo matemático exato em que só se pode chegar a uma única resposta, os riscos sempre existem, ainda mais quando colocamos a mão no fogo por um resultado.

É fundamental não associar sua imagem à imagem de quem faz tudo e qualquer coisa para aliciar um cliente, é um dever do advogado atuar com o código de ética sempre debaixo do braço, de modo honesto. Nossa reputação é um de nossos bens mais preciosos, em se tratando de uma carreira que o nome nos representa, ela pode ser tudo.

O cliente senta na sua frente contando que você seja uma espécie de pai, e diga o que ele deve fazer, e você deve dizê-lo, sem jamais julgá-lo, deve sempre respeitá-lo como cliente e como ser humano, o que a esposa dele pensa, o que a filha pensa, o que os familiares pensam são problemas deles, o cliente é a prioridade, ele que está envolvido no constrangimento de uma acusação, ele lhe confia seu bem mais precioso, sua liberdade, e você será a voz dele no processo. Merece toda a dedicação possível.

O bom atendimento ao cliente não pode ser apenas naquele momento em que é firmado o contrato de honorários, deve acontecer sempre. Após esta primeira oportunidade é que o trabalho se aprimora, você passa a representá-lo e ser a voz desta pessoa num processo. Também, se torna o responsável por traduzir todos os acontecimentos jurídicos para seu cliente, na maioria das vezes leigo nas questões técnicas. 

O contato vai ser permanente e a parte espera sempre sua atenção, você deve se adiantar, explicar com antecedência os acontecimentos e fases do processo, não esperar o cliente ligar para saber alguma informação, essa dedicação transpassa a relação, e será uma marca registrada que te levará muito longe. 

O modo como se relacionar com o cliente, dentre outras questões, é algo que tenho trabalhado no meu perfil no instagram (@felipegeitens), dá uma conferida lá e fique por dentro. Essa semana terá uma super novidade para você que quer saber a fundo como iniciar na advocacia criminal. Até a próxima!


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Redação

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