ArtigosCriminal Profiling

Como me tornei uma profiler

como me tornei uma profiler

Como me tornei uma profiler

Quando comecei a escrever aqui sobre Criminal Profiling, algumas pessoas começaram a me procurar nas redes sociais para saber o que fazer para se formar na área e trabalhar como profiler. A verdade é que quando decidi, simplesmente eu fui atrás pra descobrir tudo sobre a área e analisei minhas opções.

Atualmente existe a forma mais tradicional, que seria fazer graduação em Psicologia, se especializar na área e fazer um concurso para psicólogo nas polícias, cargo pouco comum no Brasil. No meu caso, eu fiz Direito e, ao me formar, eu sabia que tinha interesse pela área criminal, mas principalmente pelo entendimento do comportamento criminoso e da investigação.

Então, fiz Pós-Graduação em Criminal Profiling – Psicologia Investigativa.

Como me tornei uma profiler

Mas como me tornei uma profiler?

Essa jornada começou mais ou menos quando eu tinha 16 anos e ganhei da minha mãe o livro Serial Killers: Made in Brazil, da Ilana Casoy e li em uma noite. Eu já sabia que queria fazer Direito e trabalhar na área criminal, mas naquele momento eu descobri um interesse maior por serial killers e psicopatia. A partir de então eu me vi intrigada por esses temas, querendo entender como pessoas poderiam cometer atos tão cruéis e desmedidos.

Pouco tempo depois eu descobri a série Criminal Minds, onde tive meu primeiro contato com o Criminal Profiling e imagino que tenha sido assim com muitas pessoas que se interessam pela área.

Eu ainda não compreendia totalmente o ramo mas eu já conseguia entender mais ou menos como a coisa toda funcionava. Muitos dizem que a série é fantasiosa e que faz as pessoas terem uma imagem distorcida desse tipo trabalho, mas ela abriu muitas portas do Criminal Profiling para o público geral.

Somente depois que entrei na faculdade e quando comecei a minha monografia que pude perceber realmente com o que eu queria trabalhar. Meu tema foi a psicopatia como semi-imputabilidade no sistema penal.

Estudei bastante sobre psicopatia e passei a compreender as suas nuances. Até hoje continua sendo um tema controverso e ainda em estudo sem um consenso, mas já naquela época eu entendi que é algo biopsicossocial e que precisamos estudar e trazer conhecimento sobre o comportamento desviante e violento para o sistema judiciário, tanto de forma preventiva como de forma combativa.

Assim que formei me vi com diversas opções do que poderia fazer. Pesquisando sobre alguns temas relacionados eu descobri que existia uma Pós-Graduação em Criminal Profiling – Psicologia Investigativa em Ribeirão Preto e resolvi que no ano seguinte era o que eu faria. Como sou de Brasília e morei aqui a vida toda, acabou sendo uma experiência muito gratificante mesmo com altos e baixos e problemas ao longo do caminho, com direito a ótimos professores e amigos pra vida toda além do conhecimento único.

Foi uma saga de dois anos em que viajei uma vez por mês para outro estado e muitas horas de ônibus noite adentro para assistir aulas no final de semana. Precisei sacrificar aniversários, compromissos e até um casamento para fazer a especialização que escolhi e que só existia lá até então.

Mas valeu muito a pena, esses dois anos que passei estudando sobre Criminal Profiling foram reveladores pra mim. Eu realmente me encontrei na área e entendi que é isso o que eu quero fazer. Fiz meu TCC sobre o perfil do matador de aluguel e peguei gosto por esse tipo de pesquisa.

Ao finalizar a especialização resolvi focar mais na área acadêmica me debruçando nos livros recomendados pelos professores e coordenei juntamente à Clarice Santoro a Comissão Especial de Estudos de Criminal Profiling, que resultou no livro Criminal Profiling e o Direito. Acredito que quanto mais gente conhecer a área, melhor, então pretendo continuar informando as pessoas e quem sabe ajudar a tornar um trabalho cada vez mais popular.

Mas é claro que essa foi a minha experiência. Quem quiser trabalhar na área pode escolher seu próprio meio de seguir o caminho que preferir. E não é necessário trabalhar diretamente com o Criminal Profiling, é possível usar esse conhecimento em outras profissões. O importante é entender o que quer e correr atrás, mesmo sabendo que será difícil.

Eu acho muito relevante incentivar as pessoas a trabalharem com isso, desenvolverem pesquisas e divulgarem a área, mas vale ressaltar que ainda estamos engatinhando aqui no Brasil, e não é um caminho tranquilo. Ainda há muito desconhecimento e resistência por parte de outros profissionais e pessoas passando informações incorretas. Precisamos nos unir para que a área cresça e apareça!

E aproveitando, para quem se interessar, estou à disposição para conversar e tirar dúvidas no meu Instagram: @veronycavm.


Quer estar por dentro de todos os conteúdos do Canal Ciências Criminais?

Siga-nos no Facebook e no Instagram.

Disponibilizamos conteúdos diários para atualizar estudantes, juristas e atores judiciários.

Autor

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.
Continue lendo
ArtigosCriminologia

Dark Number: a verdade perdida nas sombras

ArtigosDireito Penal

Furto e sistema de vigilância

ArtigosEnsino Jurídico

Extinguir o ensino jurídico: eis o antídoto perfeito

ArtigosDireito Penal

Entenda a diferença entre racismo e injúria racial

Receba novidades em seu e-mail