• 30 de setembro de 2020

COVID 19 e a (falta de) consciência coletiva

 COVID 19 e a (falta de) consciência coletiva

COVID 19 e a (falta de) consciência coletiva

Por Leonardo R. Nolasco

É preciso cegarem- se todos, para que enxerguemos a essência de cada um?!” (Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago)

INTRODUÇÃO

Inicialmente adianto aos leitores que o intuito do presente artigo é provocar alguma reflexão sobre o comportamento do ser humano nas tragédias mencionadas, apenas isso. 

Como argumento de reforço, informo ainda que não sou engenheiro naval (direito foi minha fuga das ciências exatas! Foi mal, pai!), não sou químico (e na realidade sempre fui péssimo em química na escola, mas sei que “H 2 o” é água e “Fe” é ferro) e também nunca sonhei em ser médico (escolhi “salvar vidas” através da Advocacia Criminal).  

Pois bem, eu poderia indicar a leitura do livro “ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA” (melhor distopia de todos os tempos), pelo menos no meu sentir, do saudoso autor Português José Saramago, mas advogados costumam desenvolver suas ideias além de uma mera indicação literária. Sendo assim, vou expor algumas de minhas reflexões.

SER HUMANO X SITUAÇÕES CAÓTICAS

“Ensaio sobre a Cegueira” é muito mais do que um livro do gênero distopia que nos faz enxergar sobre o futuro da humanidade, nos faz temer (e muito) a própria humanidade diante de situação de caos. 

Diante do caos que o ser humano se transforma em animal egoísta (sem ofensas, mas eu já acho que não precisa nem do caos para isso), diante do caos que os instintos mais primitivos que ficam escondidos no ser humano são expostos e por fim, no meu entender, é diante do caos que o homem revela seu lado mais idiota (do grego ‘idiotes’, ou seja, aquele que está fechado dentro de si, que só pensa em si. Semelhança com idiossincrasia, identidade…).  

Com a precisão de um anestesista, ouso igualar o comportamento dos personagens “fictícios” de José Saramago com o ser humano nas tragédias ocorridas.

Madrugada do dia 15 de Abril de 1912 – RMS TITANIC

Um transatlântico do porte do RMS Titanic, em sua viagem inaugural, com 2.224 (duas mil duzentas e vinte e quatro) pessoas a bordo, desde a saída do porto de Southampton (Inglaterra) estava condenado, pelo menos no aspecto ético / moral, haja vista que os botes salva- vidas eram insuficientes. Em caso de naufrágio, mais da metade estava condenada à morte lenta e sofrida nas águas geladas do atlântico.

Qual a necessidade de botes salva- vidas para todos os 2.224 passageiros e tripulação? “Nenhuma, óbvio!”. Custa- me crer que algo diferente tenha passado pela mente dos (ir)responsáveis. 

Na cabeça dos engenheiros navais Alexander Carlisle e Thomas Andrews, bem como nos gestores da empresa “White Star Line” e do Comandante do RMS Titanic, o senhor Edward Smith, o transatlântico (maior e mais moderno da época) era inafundável! Isso mesmo, impossível afundar! Se houvesse algum acidente, pouco mais de 1.100 (mil e cem) pessoas, poderiam lutar pela vida.

Pois bem, o acidente aconteceu, seja por arrogância, soberba ou imprudência (lembra do início do texto?! As causas não são objeto do artigo), o navio chocou- se com um enorme iceberg e pouco mais de duas horas e quarenta minutos estava completamente submerso.

Diversos documentários e filmes “romantizados” relatam o pior lado do ser humano desde o momento da colisão, até duas horas e quarenta depois, quando submerso. Passageiros da primeira classe tentando subornar os oficiais responsáveis por quem poderia entrar nos botes, oficiais recebendo suborno para descerem botes com homens (primeiro mulheres e crianças), oficiais se deparando com situações similares à “escolha de Sofia”, passageiros da primeira classe “catando” crianças da terceira classe para ingressarem nos botes, roubos, assassinatos, pessoas desprezando os músicos que permaneceram tocando seus instrumentos, etc… Cada um por si!

DIA 26 DE ABRIL DE 1986  – CHERNOBYL

Assista o documentário “Hora Zero – o Desastre de Chernobyl” e já comece a ter arrepios com a irresponsabilidade do engenheiro chefe, o senhor Anatoly Dyatlov, que apesar dos conselhos dos demais colegas de profissão, insistiu em fazer o teste nos equipamentos da usina nuclear. Pois bem, o resto é história, um erro de projeto fez com que a energia do reator subiu e ocasionou a explosão na madrugada de 26/04/1986. (um dos sobreviventes disse que foi uma “cena linda e parecia um arco- íris subindo para o céu”). Apesar da ciência do acidente, as autoridades hesitaram em expor o tamanho da devastação. Apenas dias depois que a União Soviética comunicou a explosão do reator número 4 da usina. 

O descaso das autoridades soviéticas em relação aos moradores de Chernobyl e Pripyat, bem como com os bombeiros foi total! Centenas de reservistas foram convocados e alguns saquearam as casas abandonadas, saquearam casas não abandonadas, etc… Mais uma vez o lado primitivo (e irracional) da humanidade veio à tona!

CESIO 137 – GOIÂNIA (SETEMBRO DE 1987)

Pouco mais de um ano após o desastre de Chernobyl, o mundo ainda estava assustado com todo ocorrido na antiga União Soviética, algo relativamente distante de acontecer no Brasil. A tragédia com o CESIO 137 (o pesadelo de Goiânia) foi o maior acidente radioativo em área urbana do mundo, vitimando crianças, adultos e idosos, sem contar com a quantidade de pessoas que desenvolveram doenças derivadas da radiação.

Após o diagnóstico da radiação, verdadeira operação de guerra foi implantada! As vítimas do CESIO 137 não receberam tratamento digno, receberam “menos consideração do que o próprio lixo radioativo”, conforme relatos.

A falta de preparo (treinamento) das autoridades aliada à falta de empatia da população fez recrudescer toda tormenta das vítimas e seus familiares, que sofreram toda sorte de preconceito.

COVID- 19 e a necessidade do “trabalho em equipe”

Sabe o Planeta Terra?! Então, existe um vírus que está deixando a humanidade em pânico, com alto grau de transmissibilidade e que conseguiu afastar as pessoas mais do que as redes sociais: Coronavírus! 

Por óbvio que não vou tomar seu tempo (tampouco o meu) explicando como surgiu, origem, sintomas… Vamos focar na urgência em despertarmos sobre nossas atitudes preventivas! Essa luta é nossa, e por enquanto, estamos perdendo (para nós mesmos).

Não, não é teoria da conspiração! A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de emergência global (global de globo terrestre e isso inclui o Brasil). Realmente o COVID-19 está entre nós e precisamos colaborar para quebrar essa cadeia de transmissão do vírus. 

A recomendação do Planeta Terra é: evitar aglomerações (escolas, eventos, shows…).

Aqui no Brasil, não sei se por conta do pensamento egoísta da população ou por dificuldade em enfrentar o problema com seriedade, mas tenho a sensação de que ainda não conseguimos entender o tamanho do caos. 

Alimentos básicos já estão em falta no mercado, gel antisséptico também não encontramos com facilidade, brigas nas filas dos mercados… É falta de conscientização em todos os aspectos possíveis e imagináveis.

Eu não sei você, mas apesar de tudo o que tenho visto, ainda acredito na humanidade e no ser humano.

Parafraseando a propaganda de uma instituição financeira, precisamos lutar “por um futuro cada vez mais humano”.


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Leonardo Nolasco