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O crime do Bar Bodega

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O crime do Bar Bodega

São Paulo, 10 de agosto de 1996. Dois jovens de classe média alta são assassinados no Bar Bodega, Bairro Moema, cidade de São Paulo (SP). O crime estampa as primeiras páginas dos jornais, falando em violência histérica, contestando defensores de Direitos Humanos e cobrando justiça.

Em pouco tempo, a sede de vingança toma conta da população, inflando o ego da polícia para levar à cadeia os criminosos e brilhando os olhos dos jornalistas para correr atrás do próximo furo de reportagem.

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Quinze dias depois, nove suspeitos presos (todos negros e mulatos). Passado um mês, a verdade começa a vir à tona: o Promotor de Justiça alega falta de provas e levanta suspeita de que os acusados estariam confessando um crime (não cometido) sob pena de tortura. O delegado titular do 15º Delegacia de Polícia, João Lopes Filho, nega as acusações. Sete suspeitos são soltos por ordem do juiz-corregedor Francisco Galvão Bruno.

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Sob títulos como “Presos assassinos do Bar Bodega”, a imprensa se mantém conivente na criação de um sentimento de histeria coletiva de violência.

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Um colunista de um grande jornal escreve que os assaltantes “são veneno sem antídoto”, que “nenhum presídio recuperaria répteis dessa natureza” e que “a vontade de qualquer pessoa normal é enfiar o cano do revólver na boca dessa sub-raça e mandar ver”. O espetáculo do sensacionalismo é concretizado.

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Mas, em novembro de 1996, a polícia prende 2 acusados (brancos) de serem os verdadeiros responsáveis pelo crime, tendo sido reconhecidos por testemunhas.

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A imprensa, a polícia e a população tinham se pautado por um preconceito racial na hora de apontar os possíveis culpados. Não houve retratação da imprensa com a mesma importância que dada no momento de “sentenciar” os réus. Dois dos nove suspeitos, Valmir da Silva e Valmir Vieira Martins entraram na Justiça contra o Estado.

O caso foi relatado no livro Bar Bodega – um crime de imprensa, lançado em 2007 pelo  jornalista Carlos Dorneles.


Imagens: extraídas da obra de Carlos Dorneles

Imagem de capa: Mabel Feres/Estadão Conteúdo

Autor

Gabriela de Barros Silva

Jornalista
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