NoticiasDireito Penal

Crime em Santo André: justiça condena filha de casal assassinado e ex-namorada a 60 anos de prisão

Três dos cinco acusados ​​pelo assassinato de um casal e seu filho adolescente no ABC paulista foram condenados pela Justiça de São Paulo. O crime ocorreu em 28 de janeiro de 2020, quando uma família foi encontrada queimada dentro do porta-malas de um carro abandonado em uma estrada rural de São Bernardo do Campo.

Leia mais:

Caso Boate Kiss: relator no STJ propõe afastar nulidades em condenações do caso

MP-SP quer que Suzane von Richthofen volte a cumprir pena no regime semiaberto

A residência das vítimas estava localizada em um condomínio no bairro Jardim Irene, em Santo André, a uma distância de 6,5 milhas do local do crime. Na madrugada desta quarta-feira, 14, o julgamento ocorreu no Tribunal do Júri na Comarca de Santo André, e as condenações foram proferidas. As penas somadas ultrapassam 192 anos.

As vítimas foram identificadas como Flaviana de Meneses Guimarães, de 40 anos, Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Juan Victor Meneses Gonçalves, de 15 anos. A filha do casal, Anaflávia Martins Meneses Gonçalves, juntamente com sua então companheira, Carina Ramos de Abreu, foram acusadas de participação no crime. Outros três homens também estiveram envolvidos na ação, e todos eles já haviam sido acusados ​​anteriormente pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Agora, a Justiça condenou três dos acusados, enquanto os outros dois serão julgados posteriormente.

Anaflávia, filha das vítimas, que participou dos crimes, foi condenada a uma pena de 61 anos, cinco meses e 23 dias de prisão

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), “os jurados consideraram os réus culpados pelos crimes de homicídio qualificado (motivo fútil, uso de violência extrema e dificuldade de defesa das vítimas), roubo agravado, ocultação de cadáver e associação criminosa”. De acordo com a decisão, Anaflávia, filha das vítimas, que facilitou a entrada dos cúmplices no condomínio e participou dos crimes, foi condenada a uma pena de 61 anos, cinco meses e 23 dias de prisão, enquanto Carina Ramos de Abreu foi condenada a 74 anos, sete meses e dez dias de prisão, e Guilherme Ramos da Silva foi condenado a 56 anos, dois meses e 20 dias de prisão. Todos os réus cumprirão suas penas em regime fechado.

canalcienciascriminais.com.br crime em santo andre justica condena filha de casal assassinado e ex namorada a 60 anos de prisao crime
Fonte: ABCdoABC

Segundo informações alcançadas pelo tribunal, a filha das vítimas informou a sua companheira sobre a existência de um cofre na casa de seus pais. Com a ajuda de três homens, eles entraram no condomínio onde residia a família. Os corpos das vítimas foram encontrados carbonizados no dia seguinte. Na sentença, o juiz Lucas Tambor Bueno, responsável pelo caso, destacou que as circunstâncias do crime precederam o que é considerado normal e houve uma clara premeditação para a prática dos delitos.

Embora haja possibilidade de recurso contra a decisão, os réus não poderão aguardar em liberdade durante o processo de recurso. Os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, também acusados, serão julgados posteriormente.

No dia 28 de janeiro de 2020, às 2h32, uma terça-feira, o 6º Batalhão da Polícia Militar da região foi chamado para atender a uma ocorrência. O Corpo de Bombeiros havia acabado de controlar um incêndio em um carro de luxo na Estrada do Montanhão, localizado na periferia de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram os corpos carbonizados no porta-malas do veículo, colados uns aos outros. Em menos de 24 horas, a polícia confirmou a identidade de Romuyuki como um dos corpos encontrados no porta-malas. Além disso, eles também identificaram sua esposa, Flaviana, e seu filho mais novo, Juan Victor.

As imagens das câmeras de segurança observaram que Carina, a companheira de Anaflávia, chegou ao condomínio, juntamente com os outros envolvidos no crime. A polícia afirmou que houve contradições nos depoimentos das duas, principalmente em relação aos horários das atividades ao longo daquele dia, o que levou à sua prisão. Posteriormente, os outros três envolvidos também foram presos.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, Carina e Anaflávia assassinaram as vítimas por motivos mesquinhos, com o objetivo de ficar com a casa, os veículos, o dinheiro que acreditavam estar no cofre e o dinheiro do seguro de vida. Juliano, Jonathan e Guilherme participaram do crime em troca de uma promessa de recompensa.

O MP-SP declarou na época que todos os cinco envolvidos utilizaram meios cruéis para matar as vítimas, causando graves lesões em suas cabeças, com afundamento do crânio no lado direito. Além disso, dificultaram a defesa das vítimas, pois, além de estarem em maior número, amarraram, amordaçaram e sedaram-nas. A presença de Carina e Ana Flávia, que eram da família, não levantava suspeitas.

Em seu depoimento, Juliano Júnior afirmou que todos planejaram o crime juntos e que Ana Flávia e Carina estiveram ativamente envolvidas em toda a ação. Isso ocorreu depois que eles descobriram que as vítimas tinham recebido uma herança de R$ 85 mil. O MP-SP também afirmou que Carina e Ana Flávia suspeitavam que Romuyuki havia feito um seguro de vida.

Fonte: GZH

Daniele Kopp

Daniele Kopp é formada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Pós-graduada em Direito e Processo Penal pela mesma Universidade. Seu interesse e gosto pelo Direito Criminal vem desde o ingresso no curso de Direito. Por essa razão se especializou na área, através da Pós-Graduação e pesquisas na área das condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Sistema Carcerário Brasileiro, frente aos Direitos Humanos dos condenados. Atua como servidora na Defensoria Pública do RS.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo