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Diferenças entre Criminal Profiling e Criminalística

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Diferenças entre Criminal Profiling e Criminalística

Para quem se interessa por Criminal Profiling e passa a estudar sobre o uso da análise da cena do crime para a elaboração de perfil criminal, é comum a confusão entre essa área e o trabalho de Criminalística. Assim como no caso da Criminologia, existem semelhanças entre as áreas, mas isso não significa que o profiler seja um perito criminal.

A Criminalística é uma ciência utilizada para determinar a dinâmica de um local de crime através da análise de evidências para que sejam elaborados exames visando a extrair informações sobre o crime. Essas informações adquiridas, a partir de vestígios físicos, são necessárias para entender como o crime ocorreu, quem foram os envolvidos e o seu motivo.

Normalmente os peritos do local de crime recolhem os vestígios e os levam para o Instituto de Criminalística local ou equivalente. Lá existem peritos de áreas específicas que examinam as evidências e fazem laudos com as conclusões. Vale lembrar que existem áreas forenses específicas para cada tipo de evidência, como quem atua com Balística Forense, ciência que analisa toda a parte relacionada com arma de fogo, como o tipo de projétil e a trajetória de tiros efetuados.

E, a partir do exame do projétil, o perito pode descobrir algumas informações sobre o autor do crime, como por exemplo, se ele é destro ou canhoto. Mas o perito é responsável somente por essa parte. Já o profiler é responsável por juntar informações periciais como essa a outras, como o tipo de crime e o tipo de vítima, para definir características do autor do crime, incluindo aquelas ligadas à motivação dele.

No Criminal Profiling, o foco está na análise do comportamento do autor do crime através da cena do crime para a elaboração de um perfil criminal que possa auxiliar na captura de quem cometeu o crime. A Criminalística e o Criminal Profiling são complementares, mas atuam de forma diferente.

Não se deve confundir, inclusive o perito que é psiquiatra forense ou o psicólogo forense que trabalha com investigação, pois atuam principalmente com análise de diagnóstico de distúrbios mentais e elaboração de laudos psicológicos e psiquiátricos, trabalhos que não são de competência de uma pessoa que atua exclusivamente como profiler.

O profiler utiliza o Criminal Profiling como ferramenta para elaborar o perfil criminal de uma pessoa que cometeu um crime e não foi identificada. Qualquer profissional forense pode utilizar essa ferramenta se for especializado na área, de forma a complementar o seu ramo de atuação. A diferença é que quem se identifica como profiler trabalha de forma autônoma.

Vale ressaltar que a profissão de profiler ainda não é regulamentada e reconhecida, e uma possível explicação para isso é a utilização desse conhecimento por outros profissionais, principalmente investigadores policiais e psiquiatras forenses, que aproveitam a sua profissão para colocar em prática essa ferramenta sem precisar de alguém que trabalhe somente com isso.

É comum, inclusive, encontrar profissionais que se dizem profilers nos Estados Unidos que são policiais aposentados, principalmente agentes do FBI, ou seja, pessoas que utilizaram seus conhecimentos enquanto agentes governamentais e que, após se aposentarem, passaram a trabalhar mais especificamente com o Criminal Profiling.

Nada impede que seja criada uma área de perícia específica para o profiler. O importante é compreender que isso ainda não ocorreu e, portanto, não é uma área da Criminalística, apesar de ser fundamental para o profiler entender minimamente de Criminalística para analisar um local de crime e quando existem vestígios, precisa dos laudos de peritos para conseguir respostas.

Outro detalhe: o trabalho do profiler é mais utilizado em casos com poucas evidências e de difícil solução como uma alternativa, pois sua análise é elaborada de acordo com informações de vários tipos. O local do crime é usado como ponto de partida para uma análise profunda de tudo o que ocorreu relacionado ao crime em busca da sua autoria.

Essas diferenças podem passar despercebidas e criar diversas confusões em pessoas que estudam o tema e acreditam que basta fazer o curso de Psicologia, se especializar e fazer um concurso para perícia criminal que vai poder trabalhar especificamente nessa área. Pode até utilizar o conhecimento em determinadas situações, mas não ficará encarregado especificamente de elaborar perfis criminais.


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Autor

Verônyca Veras

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.
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