• 29 de setembro de 2020

O Criminal Profiling como meio de traçar perfis criminais

 O Criminal Profiling como meio de traçar perfis criminais

O Criminal Profiling como meio de traçar perfis criminais

Olá, nobres colegas. Em continuação ao artigo da semana passada, onde discorri sobre o Criminal Profiling como meio de melhoria na análise de indícios, hoje falarei do Criminal Profiling como meio de traçar perfis criminais. Espero que gostem.

São 3 (três) os principais objetivos do Criminal Profiling:

  1. fornecer a avaliação psicológica e social do ofensor;
  2. analisar os objetos encontrados com o autor do crime;
  3. elaborar estratégias que possam ser utilizadas na entrevista aos suspeitos.

Portanto, o procedimento baseia-se na compreensão dos modelos comportamentais do criminoso no local do crime, e o modo como esses modelos indicam o tipo de agressor em tela. Neste mesmo raciocínio, Rafael Pereira Gabardo Guimarães, leciona:

Olhando ao passado dos serial killers geralmente se encontram sinais comportamentais comuns entre eles, quais sejam: enurese em idade avançada (urinar na cama), piromania (provocar incêndios) e sadismo precoce (normalmente torturando animais ou crianças, como se fosse um ensaio para o futuro matador). Isso não significa que se uma criança fizer alguma dessas condutas certamente será uma assassina em série no futuro. É impossível fazer uma leitura prognóstica destes sinais. Contudo, o inverso sempre se mostra ocorrente, ou seja, no passado dos serial killers esses comportamentos são frequentes. É a chamada “terrível tríade”, que também é complementada por outras características na infância: masturbação compulsiva, isolamento social, destruição de propriedade, baixa autoestima, acessos de raiva, dores de cabeça constantes, automutilações e convulsões.

Além dos pontos comuns entre os seriais killers, temos ainda determinados fatores que individualizam cada um deles, sendo entendidos tais características individuais como verdadeiras “assinaturas do crime”.

Perfis criminais

Neste diapasão, sobre a utilização de tais características individuais dos criminosos, leciona Paul Roland:

A técnica de traçar perfis vai muito além de entender as bases da psicologia criminal. Mesmo o mais proeminente psicólogo pode desencaminhar inadvertidamente uma investigação, se não tiver suficiente experiência na aplicação da lei para colocar as evidências no contexto. (…) Há muito mais em traçar um perfil criminal do que fornecer a polícia um esboço da personalidade do perpetrador. Além disso, mesmo o perfil mais apurado tem suas limitações, particularmente quando há vários suspeitos que se encaixariam no perfil. Em tais casos – quando o fio da meada está longe de ser encontrado – a criação de perfis tem sido utilizada para delinear estratégias para fazer com que o criminoso seja conhecido. É o que a investigação criminal chama de ‘proativo’.

Além disso, tão relevante quanto a análise do perfil psicológico do serial killer é a análise dos elementos criminais que o enquadram nessa categoria de indivíduos, consistente no modus operandi do delito.

A estudiosa Luma Gomides de Souza esclarece acerca dos modus operandi utilizados pelos assassinos em série, destacando que podem ser de três espécies: nômade, territorial e estacionário, explicando cada delas:

Assassinos nômades são viajantes; mudam-se de forma compulsiva e fazer atrás de si uma verdadeira trilha de sangue. São difíceis de serem capturados. […] Serial Killers territoriais são aqueles que delimitam uma série específica para atuação, que poderá variar de tamanho, de acordo com cada caso. O Maníaco do Parque, assim como a maioria, era territorial, pois cometia seus crimes sempre no Parque Estadual de São Paulo. […]. Os estacionários são raros, cometendo seus crimes sempre em um mesmo local exato (na própria casa, por exemplo). JOHN GACY era estacionário, por matar em casa, enquanto o grupo “Anjos da Morte” matava no local do trabalho – o Hospital Geral de Lainz.


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Thiago Cabral

Pós-Graduando em Direito Penal e Processual Penal. Pós-Graduando em Ciências Penais. Advogado criminalista.