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O novo perfil do criminoso em tempos de caça aos políticos

O novo perfil do criminoso em tempos de caça aos políticos

No passado, o criminoso temido pela sociedade era aquele que necessariamente representasse um perigo para a família. Um assaltante, por exemplo. O principal alvo do Estado eram os criminosos que praticavam crimes violentos.

Hodiernamente, o Ministério Público passou a ter uma preocupação com um outro tipo de criminoso, que não necessariamente se vale de violência para praticar sua atividade criminosa, mas que, mesmo assim, causa um dano imensurável. É o caso de políticos que desviam dinheiro público que deveria ser usado para compra de merenda escolar, por exemplo.

Evidentemente que os criminosos “comuns” ainda continuam sendo reprimidos pelo Estado, mas o foco desse texto são os considerados criminosos de “colarinho branco” e a alucinada guerra para destruí-los.

Essa mudança de alvo se tornou ainda mais clara nos últimos anos, em que se verificou um claro aumento da repressão aos crimes de corrupção. Pessoas importantes que outrora jamais poderiam imaginar sentirem o peso da Lei, hoje respondem inúmeros processos criminais, por vezes até indo parar na prisão.

Contudo, é preciso ter nesse delicado momento pelo qual passa a sociedade brasileira, sobretudo o universo jurídico criminal, racionalidade e responsabilidade para analisar cada caso. Não se pode partir do princípio de que os fins justificam os meios e sacrificar direito e garantias fundamentais conquistados a muito custo no decorrer das últimas décadas.

É preciso, sim, combater o crime, seja ele organizado ou não, de modo que ele seja ao menos diminuído. E é nesse contexto que os advogados criminalistas deverão estar atentos para combater todo e qualquer abuso de poder, toda e qualquer prática que ofenda direitos e garantias fundamentais, atuando de certa forma como uma balança para limitar o poder punitivo estatal e para que se respeite o Estado Democrático de Direito.

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Pedro Wellington da Silva

Pós-graduando em Ciências Penais. Advogado.

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