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A Defesa tem a palavra!

Canal Ciências Criminais

Esta é a hora, este é o momento, a partir deste anúncio, nada mais importa, todo o preparo técnico e artesanal do processo em questão será posto em evidência pelo tempo estipulado ao defensor. Dos tribunos mais experientes e consagrados por este país aos mais novatos, ninguém fica indiferente a esta frase.

Só os defensores comprometidos e muito combativos conseguem descrever as inúmeras sensações que começam a passar pelo seu raciocínio na hora de fazer a defesa oral num processo criminal. Apenas por escrever este artigo, consigo sentir as contrações abdominais, o suor das mãos, a necessidade de falar com propriedade e não levar para o lado pessoal palavras ditas anteriormente e que, por um impulso da função, poderiam acabar com a defesa do cliente. Muito sofri diante de processos densos, acusações pesadas e muito bem feitas pelos excelentes promotores ou procuradores com que tive de dividir os julgamentos durante minha atividade profissional.

Por mais experiente que você seja, por melhor preparado tecnicamente e conhecedor do processo de capa a capa, num julgamento surgem variáveis, pois são feitos por pessoas, alguma novidade acontece, uma palavra dita pode ser um gancho para um novo argumento, que pode definir a situação do seu cliente. Estar ligado o tempo todo é uma função do advogado criminalista. Aproveitar oportunidades que surgem justamente na finalização do processo faz parte desta carreira tão visada e criticada pela sociedade.

Mas os grandes oradores possuem uma grande característica que está por trás ainda do seu poder de argumentação, com o encantamento da oratória que lhes é consagrado, na hora da fala no plenário do júri ou nas alegações finais em processos comuns ou em sustentações orais, os maiores defensores que já assisti trabalhando eram, acima de tudo frios, calmos e cuidadosamente equilibrados ao começarem seus discursos. Isso não quer dizer que se mantinham assim o resto do tempo durante a explanação da defesa, muito pelo contrário, quando necessário, elevavam o tom, berravam a ponto de doer os ouvidos dos presentes para mostrar que determinada circunstância ou prova deveria ser levada em consideração em favor do seu cliente.

Os maiores ensinamentos para que os futuros advogados criminalistas aprendam a arte da oratória está dentro dos Foros e dos Tribunais. Não se cansem de assistir os maiores promotores e advogados da sua cidade, eles estão lá quase que diariamente fazendo o seu trabalho e você, como estudante ou recém-formado em Direito, só precisa organizar seu tempo para vê-los atuando, pois são aulas gratuitas.

A defesa técnica e bem trabalhada durante um processo criminal tem seu peso é claro, mas o fechamento de uma alegação final oral ou a sustentação oral de um recurso no Tribunal é o que define muitas vezes todo o trabalho feito por anos, então os fatores da argumentação lúcida, clara, compromissada não apenas com o processo, mas também com a realidade social, cultural de todos os ouvintes possibilita o reconhecimento de um excelente trabalho.

Não a outra forma de sentir estas emoções a não ser aceitando os desafios da profissão de defensor, independente do resultado que virá, não importando o tempo que você está atuando, e muito menos com a dificuldade da causa e do número de pessoas presentes assistindo, quando você tiver a oportunidade da palavra, esqueça o resto, confie em tudo que você estudou, assistiu no passado e pensou, e solte a voz.

O nervosismo vai ficando para trás a cada palavra, seu corpo vai se ajustando, as ideias vão saindo e você vai ficando mais leve, mais confiante. Logicamente, os resultados vão aparecer.

Autor
Mestrando em Ciências Criminais. Advogado.
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