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O difícil trabalho de salvar vidas

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Medicina sempre foi o meu sonho. Depois de finalmente me formar, resolvi iniciar um trabalho simplesmente tentando fazer a diferença na vida das pessoas. Se pudesse salvar uma vida, todo o esforço já teria valido a pena.

Porém, a prática se mostrou cruel. Certa vez salvei a vida de um rapaz bem jovem. Tão jovem que ainda não tinha a chance de crescer e aprender com os erros, como todos nós fazemos.

Ele tinha toda a vida pela frente. Sua família me agradecia com todas as forças do mundo. Contudo, mesmo diante de tal feito, passei a ser questionado por, pasmem, ter salvado a vida de uma pessoa.

Não gosto de pensar no que ele fez antes de chegar em minhas mãos. Só pensei em como fazer o melhor trabalho e, se eu conseguisse, como seria a vida dele dali para frente.

O pesadelo começou quando a mídia colocou minha imagem no jornal e começou a fazer reportagens deixando bem claro que eu tinha salvado um mostro. Que o rapaz não merecia viver. Que eu deveria tê-lo deixado morrer e etc.

O problema é que não demorou muito para a população reproduzir tudo aquilo, só que de forma mais intensa. Em todos os churrascos de família o assunto era sempre a minha atuação e como eu tive coragem de fazer aquilo. Passei a ser um inimigo da sociedade.

Com o tempo eu cheguei a me questionar se valia a pena continuar. O problema é que quando me formei fiz um juramento. Deveria cumpri-lo, portanto, Jurei que salvaria todos, independentemente de quem fossem ou o que falariam de mim.

Apesar dos pesares, resolvi continuar exercendo o meu ofício de salvar vidas. Afinal de contas, insisto em dizer que a sensação de fazer a diferença na vida de uma pessoa, de uma família, é algo que definitivamente justifica todo o resto. Aprendi que não adianta ligar para o que os outros pensam e simplesmente tento fazer o meu trabalho.

E, por último, acaso a Advocacia Criminal deixe de ser apaixonante, deixarei de ser advogado e, quem sabe, tentarei finalmente ser médico. Ora, nunca vi um médico ser questionado por salvar uma vida. Invejo-os por isso, pois jamais serão considerados inimigos da sociedade simplesmente por fazerem o seu trabalho.

Autor

Pedro Wellington da Silva

Pós-graduando em Ciências Penais. Advogado.
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