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Dilema do Prisioneiro

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Dilema do Prisioneiro

O jogo constituído através da interação entre seus jogadores, ou seja, aqueles que tomarão as decisões, as quais refletem, atingem o outro em maior ou menor grau, possuindo a sua disposição conhecimentos anteriores advindos de outros jogos ou não, estratégias e informações limitadas sobre o que o outro sabe ou não (ROSA, 2017).

O Dilema dos Prisioneiros, hoje, é o exemplo mais clássico de como o jogo funciona e se estabelece, visto que os prisioneiros possuem todos os elementos necessários a formação de um jogo: interação, poder de decisão, maior ou menor de vulnerabilidade à decisão do oponente, de acordo, também, com a sua decisão.

Este jogo consiste na prisão de duas pessoas pelo suposto cometimento de um crime. No entanto, são colocadas em celas separadas, impossibilitando sua comunicação. Assim, a eles são dadas três possibilidades, objetivando a confissão:

  1. Uma confissão: o que não confessou tem a pena máxima;
  2. Duas confissões: pena reduzida pela metade aos dois suspeitos;
  3. Nenhuma confissão: tempo de prisão estendido a menos da metade da pena a ser dada.

A decisão (dilema) de confessar ou não de um, por certo, reflete na consequência a ser acarretada ao outro e vice-versa, é nisso que consiste o jogo. Dessa forma, o conhecimento do oponente, acordos prévios de silêncio, possíveis estratégias a serem adotadas, participação no crime, pena em abstrato, dívidas, previsão de jogadas, faz parte do estudo dos possíveis comportamentos dos jogadores e de como se farão as jogadas.

Ao analisar os possíveis resultados, parece fácil identificar a melhor solução: ninguém confessar. Porém, como incomunicáveis, torna-se muito difícil apostar nisso e correr o risco de qualquer resultado ser pior do que ter optado pela confissão. Nesse sentido, o jogo dos prisioneiros estabelece-se como um jogo não-cooperativo de resultados previamente conhecidos e determinados (PINHO; VASCONCELLOS; TONETO JR, 2012).

Nos jogos reais, especificamente na Persecução Penal, as consequências, pois também as variáveis, informações, regras, conhecimento do oponente, combinações prévias, confiança e jogos anteriores, são elevadas a um outro patamar, visto que o próprio jogo ganha novos contornos: envolvimento e influência de outros sujeitos-jogadores internos e externos, sequência de ações, “timing”, momento da tomada da decisão, possibilidade de cooperação (acordos premiados, delações), informações disponíveis (o que um sabe que o outro sabe, o que um sabe que o outro não sabe, o que ele não sabe que o outro sabe, o que ele não sabe que o outro não sabe), dopings (ROSA, 2017).


REFERÊNCIAS

ROSA, Alexandre Morais da. Procedimentos e Nulidades no Jogo Processual Penal. Florianópolis: EMais, 2017.

ROSA, Alexandre Morais da. Para entender a Delação Premiada pela Teoria dos Jogos. Florianópolis: Empório Modara, 2017.

PINHO, Diva Benevides.; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; TONETO JR, Rudinei. Introdução à Economia. São Paulo: Saraiva, 2012.


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Autor

Andressa Tomazini

Pós-Graduanda em Direito Penal e Direito Processual Penal. Pesquisadora.
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