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Diversidade e empatia

diversidade e empatia

Diversidade e empatia

Até outro dia ninguém falava em diversidade, embora, diga-se a bem da verdade, o “diverso” há séculos andasse por ai. Só que encoberto pelas sombras da discrição e do medo. O ódio vive solto. Com o mínimo de esforço, por certo, era possível vê-los, mas os ditos “humanos normais” se recusavam. Preferiam a luz. Olhar em direção à sombra só de canto de olho, discretamente. Apenas e tão somente por curiosidade, como visitante de um circo de horrores.

Historicamente, o diverso foi sempre mote de atenção. E, muitas vezes também, tema de chacota e de atos de perversidade. Nestes tempos contemporâneos, algumas expressões perderam popularidade e baixaram o tom mais por causa do advento do politicamente correto do que pela conscientização do erro.

Jamais deixaram de ser manifestas, é fato, porém agora só à boca pequena: hoje vi uma sapatona, macho paca! Tinha uma bichona no ônibus, muito doida! Escorreguei na rampa dos aleijados! Traveco é trans? Negão agora só gosta de cota! Além da imposição do politicamente correto, que tornou este tipo de observação deselegante e de mau gosto, vale lembrar que algumas destas frases, atualmente, se expressas em público a plenos pulmões, podem resultar em processos judiciais e até cadeia.

Diversidade e empatia

Não, não se trata de censura. O respeito ao próximo, que deveria ser uma ação natural, inerente do ser humano, pela ausência da prática ou da prática do seu oposto, tornou-se obrigatório.

Estas “diferenciações” entre humanos jamais deveriam existir e muito menos servir de critérios – explicito ou implícito – para qualquer coisa. Nada disso muda o caráter e o talento das pessoas. Somos, na essência, seres humanos iguais. E assim devemos tratar ser tratados pelo outro! No entanto, ainda tem gente – muita gente – que não pensa dessa maneira. Embora não confessem e procurem escamotear o “vício”, estas pessoas são praticantes contumazes de uma ação ilegal, moral e eticamente terrível, denominada popularmente de preconceito. São quase sempre renitentes, não mudam.

Por sorte, paulatinamente este cenário está mudando, tanto pela força da lei, que pune o preconceito, como pelo modismo imposto pelo mercado. Virou moda e ação de marketing empresas buscar funcionários neste universo. O que me impressiona neste trecho da história não é apenas a existência de consultores em diversidade, mas, sobretudo, de cursos de pós-graduação sobre o tema. É inadmissível, no meu entendimento, a existência de especialistas para ensinar um humano a aceitar outro humano do jeito que ele é. Sem tirar nem por!

Alguém sabe quem sequestrou a empatia? Por favor, mandem notícias! E quando resgatá-la, levem-na ao Jornal Nacional para que todos saibam que a empatia vive, está livre e a disposição para ser usadas por todos, que não há necessidade de manuais, cursos e nem de professores para ensinar humano a aceitar humano como de fato o é. Basta apenas que experimentem um se colocar no lugar do outro para que, em tese, saber o que cada um sente.

Esta experiência, não raro, é transformadora. Faz o ser humano agir e se sentir melhor. Não tenho dúvidas de que o exercício diário da empatia diminuiria os índices absurdos da intolerância que, não é segredo, é fonte geradora de violência.


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Advogado (SP) e Professor
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