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Donald Trump interrompe juiz, fala demais e gera desconforto em julgamento em que é réu

Nesta quinta-feira, 11 de janeiro, Donald Trump esteve em Nova York, nos Estados Unidos, em uma audiência do processo que está sendo julgado. O ex-presidente norte-americano é acusado de supostamente inflacionar o valor de seus ativos imobiliários.

Durante as alegações finais de seus advogados, Trump confrontou o juiz Arthur Engoron, responsável pelo caso. O magistrado falava com a defesa quando foi interrompido pelo réu. “Temos uma situação em que sou um homem inocente”, disse o ex-presidente. “Estou sendo perseguido por alguém que está concorrendo a um cargo público.”

Vídeo: Reprodução/G1/YouTube

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Donald Trump afirma que acusações possuem teor político

De acordo com o ex-presidente, a acusação é uma estratégia de Letitia James, procuradora-geral de Nova York que moveu a ação, para ganhar simpatia do público. Além disso, Trump diz que Engoron está contra ele durante o processo.

“Isso é uma fraude contra mim. O que aconteceu aqui, senhor, é uma fraude contra mim”, disse Trump. “Sei que isso [o processo] é entediante para você”, afirmou ele se dirigindo a Engoron.

Em resposta, o juiz falou com o advogado do réu: “Controle seu cliente”.

Defesa solicitou que réu apresentasse alegações finais

A defesa de Donald Trump chegou a pedir para que o próprio ex-presidente apresentasse as alegações finais do processo, mas o pedido foi negado depois que os advogados perderam o prazo para chegar a um acordo sobre as regras básicas da fala.

As condições impostas por Engoron tinham o intuito de garantir que o ex-presidente não usaria seus comentários finais para “fazer um discurso de campanha” ou para atacar as autoridades envolvidas no caso.

Juiz sofreu ameaça antes do julgamento

Segun da polícia de Nova York, o juiz do processo recebeu uma ameaça de bomba, horas antes do início da audiência. Os oficiais foram à casa do juiz e investigaram o local, mas nada foi encontrado. As autoridades acreditam que a denúncia foi um trote e disseram que ninguém ficou ferido.

Engoron vem sendo alvo de críticas e ataques virtuais por parte do próprio Donald Trump e de seus apoiadores. Na quarta-feira (10), via redes sociais, o ex-presidente acusou o magistrado de colaborar com a procuradora-geral de NY para prejudicá-lo.

Atritos anteriores

Esta não é a primeira vez que Donald Trump entra em confronto com Engoron. O ex-presidente já chamou o juiz de “desequilibrado” e de “agente democrata, da esquerda radical, que odeia Trump”.

Quando depôs em novembro do ano passado, Trump acusou as autoridades legais de prestarem muita atenção aos seus negócios depois de ter vencido as eleições presidenciais de 2016.

“Tenho certeza de que o juiz decidirá contra mim porque ele sempre decide contra mim”, afirmou o ex-presidente.

Engoron alertou Trump dizendo que poderia removê-lo do banco das testemunhas se não respondesse diretamente às perguntas.

“Senhor Kise, você pode controlar seu cliente? Este não é um comício político. Isto é um tribunal”, disse Engoron, dirigindo-se ao advogado de Trump, Christopher Kise.

Em outro momento durante o processo, o magistrado impôs duas multas a Trump, US$ 5.000 e US$ 10.000 (R$ 24,5 mil e R$ 49 mil na cotação atual), ao determinar que o empresário violou uma ordem de silêncio imposta depois de atacar o escrivão do juiz nas redes sociais.

O processo

Este é um dos quatro casos nos quais Donald Trump, favorito entre os republicanos para as eleições presidenciais de 2024, é réu atualmente nos Estados Unidos.

A ação movida pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James, acusa Trump e as empresas da sua família de manipularem valores de ativos imobiliários para enganar credores e seguradoras e embelezar a reputação de Trump como um empresário de sucesso.

O julgamento ganhou mais importância no fim de setembro, quando o juiz Arthur Engoron, que preside a sessão, decidiu que a “fraude contínua” foi comprovada.

Segundo Engoron, o gabinete da Procuradoria-Geral do estado de Nova York já tinha provado que Donald Trump e os diretores do seu grupo haviam “supervalorizado” os seus ativos entre US$ 812 milhões e US$ 2,2 bilhões entre 2014 e 2021 (cerca de R$ 2,1 bilhões e R$ 12,2 bilhões).

Consequências

Como o processo é civil e não criminal, Trump não pode ser preso, mas uma condenação pode ter grandes impactos monetários. O ex-presidente pode ser impedido de fazer negócios na cidade e o julgamento coloca em risco o império imobiliário que Trump construiu em Nova York.

Anteriormente, o juiz ordenou a revogação das licenças comerciais no estado de Nova York de Donald Trump e de Eric Trump e Donald Trump Jr, vice-presidentes executivos da Trump Organization. Ele também determinou o confisco das empresas que são alvo do processo, que serão confiadas aos liquidatários.

Donald Trump, que acumulou sua fortuna no setor imobiliário e nos cassinos na década de 1980 e prometeu administrar os Estados Unidos como as suas empresas, perderia então o controle de vários edifícios emblemáticos do seu grupo, como a Trump Tower, na 5ª Avenida de Manhattan.

As propriedades estão no centro das acusações da procuradora Letitia James: a superfície do apartamento do empresário na Trump Tower triplicou, e o edifício no número 40 de Wall Street foi supervalorizado entre US$ 200 e US$ 300 milhões (cerca de R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão).

A luxuosa residência da Trump Organization em Mar-a-Lago, na Flórida, e vários campos de golfe também aparecem no dossiê.

Fonte: G1

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