Noticias

Duran relata intimidação em investigação e recebe status de testemunha protegida pelo Appio

Advogado Rodrigo Tacla Duran é considerado testemunha protegida: entenda o caso

O juiz Eduardo Appio, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou que o advogado Rodrigo Tacla Duran seja considerado testemunha protegida no Brasil. Duran já usufruía desse status no Panamá, país onde obteve imunidade judicial, e agora a proteção se estende à jurisdição brasileira. O advogado foi intimado a depor ao juízo e, ao chegar ao Brasil, contará com proteção policial, segundo a decisão do magistrado.

LEIA MAIS:

Caso Araceli: o mistério que o Brasil jamais esqueceu

Pacto Brutal: se o julgamento fosse hoje, Guilherme de Pádua seria preso?

Ao analisar o caso e conceder o pedido de proteção, feito pelo próprio Tacla Duran, o juiz seguiu os termos da Lei 9.907/99, que regula o programa de proteção federal de testemunhas. Essa lei permite que o juiz coloque a testemunha provisoriamente sob proteção policial em situações de urgência e gravidade, como foi o caso do advogado envolvido no escândalo da “lava jato”.

Por que Tacla Duran pediu proteção no Brasil?

No pedido encaminhado ao juízo, Duran afirmou que já possuía status de testemunha protegida no Panamá e solicitou que a mesma proteção fosse garantida no Brasil, onde seria intimado a depor. A preocupação do advogado era com “eventuais atos de represália ou intimidação na jurisdição brasileira”.

Duran relatou ter sido alvo de intimidação por parte das autoridades responsáveis pelas investigações da “lava jato”, inclusive fora das fronteiras nacionais. Ele menciona mensagens obtidas pelo hacker Walter Delgatti na operação “vaza jato”, que indicam que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) alertou a força-tarefa brasileira sobre “represálias e intimidações” sofridas por Duran em decorrência da delação de Vinícius Veiga Borin.

Segundo o advogado, Borin o teria intimidado a deixar os Estados Unidos e a nunca mais retornar ao Brasil. Diante desses avisos, Duran afirma que a força-tarefa da “lava jato” não tomou qualquer providência para protegê-lo.

O que Tacla Duran revelou em seu depoimento?

Em seu depoimento, Tacla Duran declarou ter sido alvo de tentativa de extorsão por parte do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, durante a operação “lava jato”. Ele acusa a dupla de negociar delações de forma ilegal e relata um episódio em que pagou US$ 613 mil, o equivalente a R$ 3,2 milhões hoje, ao escritório de um advogado amigo da mulher de Moro, Rosangela. Esse valor teria sido a primeira parcela de pagamento pela negociação da delação.

Duran foi preso na Espanha em 2016, supostamente após deixar de pagar as parcelas da delação negociada. “O que estava acontecendo era um bullying processual, em que me fizeram ser processado pelo mesmo fato em cinco países por uma simples questão de vingança”, afirmou o advogado em seu depoimento.

O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo juiz Eduardo Appio, e o relator será o ministro Ricardo Lewandowski, prevento para analisar os processos que envolvem Tacla Duran.

Agora, com a concessão da proteção da testemunha no Brasil, Tacla Duran passa a contar com segurança e respaldo legal para dar continuidade às investigações e esclarecer sua participação nos acontecimentos relacionados à “lava jato”.

Moro e Duran
aimagem: veja.abril

Redação

O Canal Ciências Criminais é um portal jurídico de notícias e artigos voltados à esfera criminal, destinado a promover a atualização do saber aos estudantes de direito, juristas e atores judiciários.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo