• 27 de novembro de 2020

Espancamento no Carrefour revela que o racismo está estruturado em nossa sociedade

 Espancamento no Carrefour revela que o racismo está estruturado em nossa sociedade

Espancamento no Carrefour revela que o racismo está estruturado em nossa sociedade

Por Leandro Soares e Lúcio Almeida

O dia de hoje, 20 de novembro, é uma data de resistência e onde é celebrado e lembrado da morte de Zumbi dos Palmares, que foi um símbolo de luta e resistência contra todo o tipo de preconceito racial e racismo em face a população negra brasileira.

As cenas vistas acerca do espancamento de um homem negro no estacionamento de um supermercado em Porto Alegre não deixam dúvidas do quanto o racismo está estruturado em nossa sociedade. Não há o que argumentar neste momento acerca do que gerou aquela revolta, e aquele massacre contra o corpo negro.

As imagens que circulam o Brasil de norte a sul não deixam dúvidas. E sim, foi um massacre e a naturalização do corpo matável. É a escolha de quem deve morrer e quem deve viver, é o que podemos chamar de NECROPOLÍTICA.

Onde é morto a cada 23 minutos um jovem negro tenho a certeza que não podemos falar do “mito da democracia racial” onde não há igualdades dentro dos espaços de poder. Dentro do corpo docente das grande universidades públicas. Não há mais espaço para ficarmos inertes a toda essa barbárie que vem acontecendo. Devemos dar um basta!

Não há mais espaços para notas de repudio e falas falaciosas das autoridades e das entidades de classes. O que deve ser feito e a população sair às ruas com um único objetivo de não mais aceitar atos bárbaros como este contra a população negra.

Nesse sentido, vale a leitura da seguinte passagem da obra do professor Lúcio Almeida, direito da Diversidade: o reconhecimento moral de negras e negros brasileiros, onde o autor afirma:

o Estado moderno tem sido uma máquina de moer carne negra. Uma máquina mortífera para destruir moralmente e fisicamente crianças, adolescentes, mulheres e homens negros.

O autor ainda lembra que as instituições podem produzir racismo institucional, ou seja, “como a condição pela qual o Estado agiu e ainda age de maneira não isonômica no tratamento da população negra por meio de seis órgãos e entidades, com o objetivo bastante claro de impedir o exercício da cidadania.

Assim, a sociedade como um todo, em muitas das suas manifestações, seja por empresas privadas, seja por associações ou outras instituições, promovem lamentavelmente o racismo institucional. Logo, em sintonia com o compromisso da necropolítica do Estado brasileiro.


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Leandro Soares

Advogado criminalista