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Estuprada, baleada e esfaqueada, ex-prostituta abre ONG para ajudar mulheres vulneráveis

Por Redação

Brenda Myers-Powell era apenas uma criança quando se tornou uma prostituta, no início da década de 70.

Aos seis meses de vida perdeu sua mãe, à época com apenas 16 anos de idade. Sua avó, que passou a criá-la, jamais lhe deu uma explicação convincente da forma como a mãe morrera, dizendo que fora por “causas naturais. Brenda, no entanto, não acreditava: “Quem morre aos 16 anos de causas naturais? Gosto de acreditar que Deus estava pronto para ela. Já me disseram que ela era linda e tinha um ótimo senso de humor. Sei que isso é verdade porque eu também tenho.”

Apesar de ser uma pessoa incrível, a avó tinha sérios problemas com bebidas alcóolicas.“Ela trazia seus parceiros de bebedeira do bar para casa e, depois que estava bêbada e desmaiada, esses homens faziam coisas comigo”, declarou Brenda. Os sucessivos episódios de violência sexual iniciaram quando tinha 4 anos de idade e se tornaram algo recorrente. “Eu tenho certeza de que minha avó nunca soube de nada disso”.

Morando em Chicago, perto dos subúrbios, Brenda via diariamente mulheres com o cabelo glamouroso e com vestidos brilhantes nas ruas. Apesar de não ter ideia do que elas estavam fazendo, Brenda achava elas brilhavam e, como uma garotinha, tudo o que ela queria era usar roupas brilhantes também. Um dia, perguntou a avó o que aquelas mulheres estavam fazendo. “Elas tiram a calcinha e os homens lhe dão dinheiro”, respondeu.Brenda lembra de ter dito para si mesma: “Eu provavelmente vou fazer isso, porque os homens já estão tirando minha calcinha’.

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Ao envolver-se com alguns rapazes, Brenda completou 14 anos já com duas filhas. A avó então começou a dizer que era necessário trazer algum dinheiro para casa para sustentar as crianças. “Não havia comida, não tínhamos nada”. Numa sexta-Feira Santa, Brenda foi para as ruas em busca de dinheiro. “Coloquei um conjunto de saia e blusa de US$ 3,99, um sapato de plástico barato e um batom laranja que eu achava que me fazia parecer mais velha”, narrou Brenda.

Naquela noite, Brenda saiu com cinco homens. “Eu tinha 14 anos e chorei o tempo todo. Mas eu aguentei. Eu não gostei. Eu consegui US$ 400 e dei a maior parte para minha avó – ela não perguntou onde eu tinha conseguido aquele dinheiro. No fim de semana seguinte, fiz a mesma coisa, e minha avó parecia contente por eu estar trazendo dinheiro para casa.”

Mas na terceira vez que saiu as ruas, dois caras armados a colocaram no porta-malas de um carro. O motivo? Bremda não tinha um ‘representante’ nas ruas. Os homens a levaram para o meio do nada e a estupraram. Após o ato de violência, levaram-na para um quarto de hotel, trancando-a no armário, deixando-a sem comida.

Brenda implorou para que fosse alimentada. Os homens toparam deixá-la sair se decidisse trabalhar para eles. Durante seis meses, Brenda submeteu-se à vontade dos homens. Tentou fugir várias vezes, mas não conseguiu. Foi espancada diversas vezes e posteriormente traficada para outro homem, que diariamente a abusava, física e mentalmente.

Lidou com clientes violentos: tomou cinco tiros e foi esfaqueada 13 vezes. “Eles sabiam que podiam fazer o que quisessem com uma prostituta, já que a polícia nunca a levaria a sério. Mas, na verdade, me considero muito sortuda. Conheci lindas garotas que foram assassinadas.”

Após 15 anos prostituindo-se, Brenda começou a usar drogas. Jamais conseguiu ver alternativa à vida que levava, até que, em abril de 1997, com 40 anos, um cliente a jogou para fora do carro em movimento. “Meu vestido prendeu na porta e eu fui arrastada por seis quarteirões, arrancando toda a pele do meu rosto e da lateral do meu corpo. Fui para o hospital e, na emergência, chamaram um policial. Ouvi ele dizendo: ‘Ah, eu conheço ela. É só uma prostituta. Ela provavelmente pegou o dinheiro de alguém, então ela mereceu’. Eu ouvi as enfermeiras rindo e me deixaram na sala de espera, como se eu não valesse nada.”

Naquele momento, Brenda começou a pensar em tudo que havia acontecida em sua vida. “Eu lembro de olhar para cima e dizer para Deus: ‘Essas pessoas não se importam comigo. Você pode por favor me ajudar?’ E Deus foi bem rápido. Um médico apareceu, cuidou de mim e me encaminhou para o serviço social.” Neste local, Brenda recebeu o endereço de um lugar chamado Genesis House, dirigido por uma inglesa chamada Edwina Gateley. A moça tornou-se uma mentora para Brenda, ajudando-a transformar sua vida.

Brenda ensinou à Brenda o valor da conexão profunda que pode ocorrer entre duas mulheres, o círculo de confiança e amor e apoio que um grupo de mulheres pode proporcionar uma a outra. Brenda ficou dois anos residindo com Edwina. “Meu rosto sarou, minha alma se curou.”  

Quando saiu da Genesis House, Brenda iniciou a trabalhar como voluntária em uma pesquisa universitária com prostitutas em campo. Percebeu, então, que ninguém estava realmente ajudando aquelas mulheres. “Ninguém estava indo lá e dizendo ‘Eu era assim, e olha quem eu sou agora. Você também pode mudar’”.

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Convicta de que poderia ajudar aquelas mulheres, Brenda fundou, em 2008, uma ONG: a Fundação Dreamcatcher. Hoje, Brenda auxilia jovens mulheres, que, como ela, foram vítimas de abuso sexual na infância e adolescência e seguiram para a prostituição. A fundação, sem fins lucrativos, luta para acabar com o tráfico humano na cidade de Chicago e para prevenir a exploração sexual de jovens, auxiliando prostitutas a encontrar confiança e estabilidade, de modo a melhorar suas vidas por meio da educação e capacitação. “’Há um caminho, estamos aqui para ajudar. E tentamos tirar da cabeça delas a ideia de que não há alternativas para elas”.

Após três anos de abstinência sexual, Brenda conheceu o homem de sua vida, que não a julgou pelo seu passado como prostituta. Ele via algo nela que nem ela mesmo vislumbrava: uma moça com um sorriso bonito, com uma vontade de vencer e auxiliar outras pessoas. No ano passado, Brenda comemorou dez anos de casamento e hoje, com 58 anos, além de auxiliar inúmeras mulheres, é uma mãe dedicada de três filhos. “Há vida depois de tanto sofrimento, de tanto trauma. Há vida mesmo após as pessoas te dizerem que você não vale nada. Há vida, e não apenas uma vidinha qualquer. Há uma vida maravilhosa”, concluiu Brenda.

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Em outubro, será transmitido no Reino Unido o documentário “Dreamcatcher”, dirigido por Kim Longinottowill, que narra a fantástica trajetória de Brenda Myers-Powell. Conheça mais sobre a fundação clicando aqui.

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O Canal Ciências Criminais é um portal jurídico de notícias e artigos voltados à esfera criminal, destinado a promover a atualização do saber aos estudantes de direito, juristas e atores judiciários.
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