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Ditadura: ex-legistas do IML são acusados de falsificação de laudos e ocultação de cadáver

Investigação histórica revela possíveis crimes de ex-legistas durante ditadura militar no Brasil

Os médicos Antônio Valentini e Harry Shibata, que atuaram no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo durante a ditadura militar (1964-1985), agora estão sob investigação aberta pelo Ministério Público Federal (MPF). A alegação é de ocultação de cadáveres e falsificação de laudos necroscópicos que poderiam evidenciar práticas de tortura.

Neste processo histórico, os dois ex-legistas são suspeitos de omitirem informações e inserirem falsidades nos documentos oficiais de duas pessoas que se opunham ao regime na época. As ações teriam ocorrido em 1973 e têm levantado novas discussões sobre os horrores da ditadura.

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Imagem: reprodução/ G1 Globo

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Quem eram as vítimas?

Segundo o procurador do caso, Andrey Borges de Mendonça, os laudos adulterados pertenciam aos ex-legistas Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos tinham vínculos com a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e perderam a vida no mesmo ano.

Sônia, ex-aluna da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desempenhou um papel ativo no movimento de resistência à ditadura. Seu retorno ao Brasil, após um período de exílio na França, ocorreu devido à morte de seu marido, que também era militante. Por outro lado, Antônio Carlos ocupava uma posição proeminente no movimento, tornando-o um dos alvos principais do regime. Essa é uma história de resistência que foi brutalmente interrompida pela repressão estatal.

Qual a versão oficial na época?

De acordo com registros policiais da época, Antônio Carlos e Sônia teriam perdido a vida em um tiroteio em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo. No entanto, o inquérito do MPF, repleto de novas evidências, questiona e desmonta essa versão. As novas hipóteses sugerem que ambos, ex-legistas, foram submetidos a atos de tortura e posteriormente executados no DOI-Codi, um conhecido centro de detenção da ditadura localizado em São Paulo.

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Imagem: reprodução/ Arquivo Nacional

Como os ex-legistas estariam envolvidos?

As autópsias de Antônio Carlos e Sônia, realizadas por Antônio Valentini e Harry Shibata, respectivamente, foram registradas um ano após as mortes, em 1974. Ambos os documentos não mencionam tortura, mas afirmam que os crânios foram abertos – o que foi desmentido por uma exumação posterior, assegurando que os crânios estavam intactos.

Além disso, Shibata admitiu, em 1990, que mentiu no laudo de Sônia sobre a abertura do crânio. O procurador do MPF também acusa Shibata de ocultar o corpo de Sônia, ao registrar o corpo com nome falso, dificultando sua localização pela família.

O inquérito segue em andamento na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, como uma janela para as feridas ainda abertas do período de ditadura militar no Brasil.

Redação

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