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A experiência que me fez escolher a advocacia criminal

O início na advocacia criminal apresenta alguns percalços que exigem perseverança e irresignação, como, por exemplo, quando você é contatado por um cliente para acompanhá-lo na Delegacia e ao chegar lá e requerer acesso ao Inquérito Policial é informado que primeiro você deve fazer um requerimento, que será encaminhado para análise do Delegado e posteriormente você será informado do eventual deferimento.

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Nesse meio tempo você deve avaliar se a situação exige uma postura mais enérgica ou não. No entanto, não se pode negar que tais situações nos fazem pensar se estamos no caminho certo, se tal postura decorre do fato de estarmos no início de carreira e se queremos passar mais algumas vezes por elas.

Contudo, sempre que enfrento uma situação como essa, recordo-me do que me levou a optar pela advocacia criminal, experiência que relatarei a seguir.

Quando ainda era aluno da graduação, no último semestre, cursando a disciplina de prática penal, onde trabalhávamos em processos reais atendendo aos assistidos, surgiu a oportunidade de participar de uma oficina do júri.

Nessa oficina, ajudaríamos a professora responsável na preparação do plenário que estava marcado para aproximadamente um mês. Nos encontrávamos todas as quintas-feiras, antes da aula, para analisarmos o processo e identificarmos os pontos a serem abordados em plenário.

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Eu e os demais colegas estávamos convictos da inocência do réu, um senhor já de idade avançada, preso há aproximadamente quatro anos. No entanto, alguns dias antes da data marcada para realização do júri, o plenário foi adiado, fato que não desmobilizou nenhum de nós, pelo contrário, nos fez estudar arduamente o processo.

Assim, chegou a tão esperada data do plenário e na semana anterior a professora responsável pela oficina questionou se alguém do grupo tinha interesse em auxiliá-la dentro do plenário e eu me ofereci, pois já possuía um certo interesse pela advocacia criminal.

No entanto, no dia do julgamento, após a oitiva de algumas testemunhas, interrogatório dos réus, debates, em réplica, o Ministério Público surgiu com um documento novo, acarretando a dissolução do conselho de sentença. Tal situação desencadeou irresignação em todos, sensação de injustiça, pois era final de ano e aquele senhor, inocente, passaria mais um Natal e final de ano longe da sua família.

Essa situação mexeu com todos os colegas e nos dispusemos a continuar acompanhando o processo e participar do próximo plenário, mesmo nas férias.

Nesse meio tempo ocorreu nossa formatura, mas a sensação de injustiça continuava engasgada na garganta. Assim, na terceira sessão designada para o processo, surgiu novamente a possibilidade de auxiliar a professora responsável de dentro do plenário e novamente me propus a assumir essa função.

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No dia marcado, com aquele nervosismo tomando conta de mim e dos demais colegas, nos encontramos na Universidade e fomos para o foro. Começou o plenário, foram ouvidas três testemunhas, bem como realizado o interrogatório. Iniciaram-se os debates e, ali de dentro do plenário, presenciei a professora dando voz aquele senhor, argumentando de maneira firme e demonstrando aos jurados a inocência daquele réu.

Após o brilhante debate, os jurados se reuniram e votaram pela inocência daquele senhor, preso há quase quatro anos, que ao ser informado questionou se já poderia voltar para casa, momento em que informamos que seriam necessários mais alguns procedimentos, mas certamente sairia naquele dia, porém à noite.

Nesse momento ele nos olhou e disse:

“Não tem problema, eu volto caminhando se precisar”.

Ali percebi o quão valiosa foi a nossa pequena participação naquela história, em acreditar e ajudar a devolver a liberdade àquele homem. Além disso, presenciar a gratidão dele e da sua família foi algo que me fez ter certeza que meu caminho no Direito seria aquele, qual seja, dar voz a indivíduos sufragados pela persecução criminal, mostrar que a justiça também está ao lado da defesa.

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