Falar é prata, calar é ouro: quando o advogado de defesa deve silenciar

Por Jean de Menezes Severo

- Publicidade -

Felizzzzzzzz!!! Obrigado, amigos leitores, pelas centenas de felicitações que recebi quando da passagem do meu aniversário de 37 aninhos bem vividos. Como é bom sentir-se querido por tantas pessoas. Agradeço a minha família por todo amor que recebido nestes anos e, principalmente, pela compreensão que a Dona Cristiani e as crianças têm com o meu trabalho. Gostaria de estar mais presente, no entanto, o número crescente de trabalho me impede de aproveitar um pouco mais a família. Por fim, agradeço a Deus, o patrão velho e senhor da minha vida, por tudo. Foi Deus que me acolheu nos momentos mais difíceis e que nunca me deixou desistir, então #partiucoluna!

São mais de dez anos de advocacia criminal. Muitas e muitas audiências realizadas, acompanhamentos em delegacia que cheguei a perder a conta, portanto, estou autorizado a comentar sobre a postura ideal de um advogado criminalista em audiência, no momento em que deve formular as perguntas para a vítima, réus e, principalmente, testemunhas. Não se iluda com a história de que o advogado criminalista que faz uma centena de perguntas é o mais capaz. Na verdade, o grande criminalista é pontual: pergunta pouco e, quando pergunta, é cirúrgico em suas indagações.

Sempre é uma aventura quando vamos trabalhar em processo com vários réus. E vários réus são sinônimo de muitos advogados e cada procurador é um “mundo” diferente, ou seja, cada profissional possui uma linha defensiva sobre o processo em que está trabalhando. Às vezes, temos processos com muitos réus e denúncias diversas, tendo que cada “rábula diplomado” ter que defender seu cliente da melhor maneira possível, mas sem prejudicar outro corréu.

Vou “chover no molhado”, mas é imprescindível que o advogado criminalista conheça seu processo de “capa a capa”. Saber o que a testemunha, bem como o que a vítima e o acusado falaram na fase policial. É vital para uma boa defesa! Depoimentos confusos e controversos na fase policial podem auxiliar e muito o advogado no desempenho do seu mister.

- Publicidade -

Fazer perguntas para a vítima é sempre arriscado. Eu particularmente as faço se percebo que a vítima está faltando com a verdade. Nas demais vezes, acho sempre arriscadíssimo perguntar algo para uma pessoa que, teoricamente, sofreu algum mal e que está disposta a fazer de um tudo para vingar-se do seu agressor, neste caso, o acusado e meu cliente.

Testemunhas de acusação, mais um ponto tenso. Fazer perguntas para policiais, peritos ou pessoas que sejam técnicas em alguma área é sempre perigoso. Em tese, eles conhecem suas áreas de atuação melhor do que o advogado que está fazendo o questionamento, portanto, só pergunte se você vai saber a reposta, bem como se irá te beneficiar. Na dúvida: o silêncio é a solução.

E por que às vezes não perguntar é o melhor caminho? Porque, de vez em quando, na realidade, ele estaria produzindo uma prova que poderá prejudicar seu cliente. Algumas testemunhas são muito preparadas e fazem de uma pergunta uma “missa”, emendam uma pergunta na outra e como se diz “lavam a louça”, prejudicando e muito o trabalho defensivo.

Quando o assunto é fazer perguntas para o acusado e testemunhas de defesa, penso só se for muito necessário. O réu deve saber o que vai falar e não precisa neste momento que o advogado fique lembrando o que vai depor. Da mesma, maneiro penso que fazer perguntas para as próprias testemunhas não é de muito bom tom. Parece “jogada ensaiada”, “coisa combinada” e eu particularmente não acho legal (assim como o juiz e o promotor…).

A matemática é simples: pergunte o essencial, sem muitas firulas e, principalmente, pergunte o que você sabe que a testemunha vai responder. Não corra riscos; evite perguntar para testemunhas técnicas e, no interrogatório do seu cliente, que ele responda diretamente para o MP e o julgador tudo aquilo que você gostaria que ele respondesse.

- Publicidade -

A inquirição é uma técnica que só se aprende com a experiência e varia de caso para caso. Aqui, o feeling é fundamental.

JeanSevero

- Publicidade -

Comentários
Carregando...

Este website usa cookies para melhorar sua experiência. Aceitar Leia Mais