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Fraude espalhada via WhatsApp: como me prevenir?

Fraude espalhada via WhatsApp: como me prevenir?

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, com base no segundo semestre de 2017, o desemprego entre os jovens no Brasil atingiu em 2017 a maior taxa em 27 anos, com 30% das pessoas de 15 a 24 anos em busca de uma colocação no mercado de trabalho. Esta taxa é mais que o dobro da média mundial, que é de 13,1%.

Por outro lado, com base nos cálculos da OIT, o Brasil, segundo projeções, terá uma queda da taxa de desemprego no ano de 2018, diante da quantidade de brasileiros que estão optando pela forma vulnerável de trabalho (trabalhadores por conta própria e aqueles que auxiliam a família).

Mas, sabe-se que ainda existem milhões de desempregados no país, e, tendo em vista a necessidade urgente de conseguir um emprego, muitos estão aceitando qualquer oportunidade que garanta uma estabilidade financeira.

Atualmente, graças aos avanços tecnológicos, a maioria (senão quase todas) das vagas e oportunidades de emprego estão inseridas na Internet, seja em redes sociais tais como, Facebook, Linkedin e Instagram, bem como através dos sites específicos, como o vagas, infojobs, entre outros.

Também, compartilham-se muitas oportunidades através do aplicativo WhatsApp, principalmente nos variados grupos, mas aqui, com uma peculiaridade. Pois bem, as vagas enviadas através do WhatsApp, ou anunciam uma oportunidade direcionando ao site do responsável, ou é apenas um informativo por um determinado participante, que informa a necessidade do envio do currículo para um determinado destinatário de e-mail para análise e eventual recrutamento.

Mas, para a surpresa de muitos, nos dias 23 e 24 de janeiro de 2018, iniciou-se um compartilhamento de um suposto recrutamento para o preenchimento de vagas para a empresa Cacau Show, com salário a partir de aproximadamente R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Este golpe de falso emprego atingiu cerca de quase um milhão de pessoas, de acordo com os levantamentos de empresas de segurança. Vejamos como o conteúdo foi disseminado:

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A mensagem compartilhada tinha o intuito de obter os dados pessoais dos supostos candidatos, tais como nome, e-mail, idade, endereço, e também, incentivava os mesmos a compartilhar o conteúdo com os demais contatos.

Em primeiro lugar, deve-se separar os tópicos do ocorrido acima. Primeiro, a situação atual do país que já foi explanada, motivo que enfatizou o referido golpe, segundo, as características do criminoso, e, por fim, como saber de fato quando é um conteúdo compartilhado é legítimo ou uma fraude.

Pois bem, é importante deixar claro que o criminoso possui uma característica primordial, qual seja, a criatividade. Para preparar uma fraude virtual, além da necessidade de estar sempre atualizado com os fatos do cotidiano, é imprescindível que ele seja criativo. A aplicação concreta fraude necessita de uma pessoa disposta a criar um fato que literalmente “encante” o destinatário, de tal forma que este não perceba a real situação a qual se encontra.

Então, porque não criar um golpe de supostas vagas de emprego? O que um criminoso virtual busca sempre é atingir o máximo de pessoas que conseguir, e nada melhor do que aproveitar a atual situação do país para tanto.

Agora, será que existe uma forma de saber a veracidade do conteúdo recebido? A resposta é positiva. O principal enfoque deste artigo não é necessariamente informar juridicamente qual o caminho a ser seguido diante da fraude sofrida, e sim o caráter preventivo, diante da existência de aplicativos que são exclusivos para garantir a segurança dos dados do smartphone, além de que os mesmos analisam se o conteúdo é de fato legítimo ou não.

Estes aplicativos são chamados de antivírus, que evitam que programas mal-intencionados sejam instalados no dispositivo, pois se sabe que os mesmos carregam uma infinidade de informações pessoais, como senhas bancárias e virtuais, número de cartão de crédito, entre outros dados sensíveis.

Os celulares estão sujeitos aos mesmos tipos de malwares (softwares maliciosos) que os computadores, como o caso do famoso Cavalo de Troia, que instala uma infinidade de ameaças ao sistema, buscando captar as informações do usuário.

Assim, no momento em que o usuário tentar acessar um link pelo celular, caso este seja malicioso o antivírus imediatamente impede o acesso informando a existência de uma ameaça, como é o caso dos aplicativos PSAFE, AVAST, NORTON, entre outros, e todos disponíveis para os sistemas Android e IOS.

Ressalta-se, ainda, que existem diversos antivírus para celular na modalidade gratuito, contudo, não deve se desconsiderar os que são pagos, pois apresentam uma quantidade maior de funções de segurança e o seu custo não é tão elevado.

Por fim, recomenda-se buscar nas páginas oficiais das empresas, se a informação de fato consta lá, pois caso contrário, existe uma alta probabilidade de ser um conteúdo falso.

Neste caso em específico, a Cacau Show anunciou em seu perfil oficial que não realizou o suposto recrutamento, informando que sempre utiliza plataformas específicas de vagas de emprego.

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Fernanda Tasinaffo

Especialista em Direito Digital. Advogada.

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