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Golpe virtual #AdidasInfluenciador: afinal, o que aconteceu?

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Golpe virtual #AdidasInfluenciador: afinal, o que aconteceu?

Na semana passada, cerca de 140 mil pessoas caíram no golpe virtual que utilizou a marca Adidas. A suposta página informou que selecionaria 100 pessoas para representar a marca virtualmente, sendo que essas pessoas ganhariam acessórios da marca, tais como roupas, por exemplo, durante a sua temporada de trabalho nas mídias sociais.

Para concorrer para o cargo de influenciador, era necessário ter no mínimo 200 seguidores, seguir a marca @AdidasInfluenciadores, repostar a imagem exposta na página e marcar a mesma.

Com toda certeza isto atraiu milhares de internautas, visto que ser “influencer” está cada dia ganhando mais espaço no cenário digital, inclusive existem pessoas que trabalham somente com isso. Mas, o que é ser um influencer?

O digital influencer é um produtor de conteúdo que utiliza o seu canal virtual para influenciar determinados comportamentos, seja na internet ou até mesmo fora dela. É o caso do famoso Whindersson Nunes, que conta com mais de 20 milhões de inscritos no seu canal da plataforma Youtube, sendo um dos mais influentes do mundo.

Assim, as diversas marcas presentes no mercado se atraem por pessoas com uma quantidade alta de seguidores, e, por isso, as contratam para ser seus influenciadores. Em especial, na plataforma Instagram, um usuário que possui mais de 100 mil seguidores, pode receber até 10 mil reais caso patrocine um anúncio.

Lógico, exige do influenciador uma grande disposição para postar conteúdos, seja através dos stories ou fotos e vídeos, mas sempre acompanhadas das hashtags que indicam a empresa que se divulga.

Portanto, quando surgiu a proposta da suposta Adidas para selecionar novos influencers, por óbvio que houve em um curto período, um retorno expressivo para a página e para a divulgação. Contudo, se tratava de um golpe virtual. Você pode estar pensando:

eu não tive nenhum prejuízo, não cai em um golpe.

Primeiramente, a Adidas postou em sua página oficial que não havia lançado nenhuma campanha, portanto, não poderia ser responsabilizada pelo que foi publicado. Em segundo lugar, a intenção do criminoso virtual não era prejudicar um usuário específico, e sim, praticar spam.

O SPAM não é caracterizado somente pelo envio de mensagens indesejadas, mas por toda atividade que é realizada automaticamente por um software, como por exemplo: criação de contas falsas, postagem de muitas mensagens, seguir diversos usuários de forma massiva, ou seja, se destacar e criar autoridade de forma automatizada e não naturalmente.

Com isso, o Instagram vendo sendo alvo dos spammers, de tal forma que está trabalhando para que essa prática seja minimamente realizada em sua plataforma. Contudo, infelizmente existem casos como o da Adidas.

Agora, qual a vantagem no Instagram de possuir muitos seguidores, fazendo com que isso se torna um objeto na mão do criminoso virtual?

Pois bem, um perfil que possui milhares de seguidores pode ser usado de duas formas: vendido para algum interessado que o deseje possuir, ou prosseguir distribuindo spam, até mesmo porque esta prática se caracteriza como phishing, pois se vale da engenharia social para enganar os usuários e por fim, fazê-los recair em no aludido golpe.


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Por outro lado, não significa que atividade de influencer é de risco. A recomendação para você que deseja ingressar neste modelo de trabalho nas mídias digitais é pesquisar a página oficial da loja na aba de pesquisas, e nunca se esquecer que, se o perfil é oficial, ele possui um selo azul ao lado do nome.

Infelizmente, 28% dos usuários brasileiros foram vítimas de phishing no ano passado de acordo com relatório da empresa Kaspersky, sendo a maior proporção entre os países pesquisados pela empresa, seguido pela Austrália, com 21,8% e pela China, com 19,6%.

O criminoso virtual NUNCA irá elaborar um golpe que não te atraia, principalmente quando envolver questões financeiras. Então, tome cuidado.

Autor

Especialista em Direito Digital. Advogada.
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