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Guerra ao Tráfico ou Faroeste Contemporâneo?

Por Anderson Figueira da Roza

Durante o último final de semana, o Brasil foi informado que foi morto o traficante procurado número 1 da cidade do Rio de Janeiro, por uma operação que envolveu a polícia militar, a polícia civil e também a polícia federal. Segundo os noticiários, Celso Pinheiro Pimenta, vulgo Playboy, ao tentar fugir de um dos possíveis endereços que frequentava, trocou tiros com a polícia e acabou sendo alvejado e morreu a caminho do hospital.

Assim que noticiado este evento, surgiram fotos dos principais traficantes procurados e suas recompensas por informações sobre os paradeiros dos mesmos, até aí nada de novo, há séculos o Estado se utiliza desta forma de busca por criminosos.

Após este episódio, começaram a circular nas redes sociais alguns áudios de outros supostos líderes do tráfico de drogas avisando que a morte de Playboy será vingada, com a morte de pelo menos 50 (cinquenta) policiais, e que, além disso, a cidade do Rio de Janeiro viverá dias de terror a partir de agora:

Em contrapartida existem também áudios por parte de supostos policiais que estejam atentos e que busquem proteger a si mesmos e também seus familiares da vagabundagem.

Não há confirmação da veracidade dos áudios de ambas as partes citadas, porém, com a proliferação dos áudios pelas redes sociais, há um saldo de aproximadamente 6.000 alunos sem aulas na rede municipal e estadual na cidade do Rio de Janeiro.

Lamentável que em pleno século XXI as redes sociais estejam anunciando a possibilidade de um devastador confronto entre traficantes e policiais, isto é, que a população se prepare para cenas de um bang-bang carioca.

Logicamente, grande parte da população nacional extremamente cansada da violência generalizada que se noticia diariamente, apoia atitudes policiais que redundam com a execução de traficantes. Porém, nunca podemos esquecer que é sabido que não há como proteger uma cidade casa por casa, carro por carro, pedestre por pedestre num confronto deste nível.

Na verdade só consigo pensar que estamos pagando um preço muito alto, pela forma que o Estado lida com o tráfico de drogas, não há uma estatística específica que aponte com segurança o número de homicídios que estão relacionados com a traficância, mas a lucratividade desta atividade está dizimando famílias, por todo o Brasil. Como o Estado não consegue estabelecer uma política efetiva de combate ao tráfico de drogas, vão surgindo novos líderes na mesma medida que os antigos são executados tanto pelos grupos rivais, quanto pelos policiais.

Fazendo uma analogia, a polícia enxuga o gelo durante o sol do dia, mas de noite volta a fazer tanto frio que congela a água novamente. Assim, enquanto houver água, sendo a droga considerada como droga e altamente lucrativa (onde muitas vezes o Estado é corrompido por seu valor), estaremos vivenciando capítulos diários deste faroeste contemporâneo.

AndersonFigueira

Autor

Mestrando em Ciências Criminais. Advogado.
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